#Elavence Perfil - Café com impacto

Atualizado: 24 de Dez de 2020

Conheça a história da brasileira Nathalia Guerra que começa a dar visibilidade e transformar a realidade de milhares de mulheres produtoras de café


DA REDAÇÃO DO ELAV - Quem toma uma xícara de café raramente imagina todo o caminho que o grão percorreu para chegar até a mesa. Todo o processo de cultivo, colheita, torra, embalagem e distribuição ficam praticamente invisíveis para quem consome, e pouco se sabe sobre a história ou sobre o esforço que existe por trás da produção.

Disposta a mudar essa lógica - e mais, dar visibilidade a milhares de produtoras de cafés especiais em vários países do mundo - é que a brasileira Nathalia Guerra criou há cerca de três meses a LeeCoffee. Baseada na Espanha, iniciou sua empresa durante a pandemia com um propósito gigante: contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das mulheres que atuam no setor cafeeiro e levar para novos mercados o café de qualidade que elas produzem.


“Este é um mercado muito masculino, pouco se sabe ou se valoriza o trabalho das mulheres produtoras de café. Elas são muitas, têm histórias fortes e LeeCoffee nasce para mostrar que é possível ter propósito e despertar a consciência em uma xícara de café”, diz.


Nascida no Rio de Janeiro e filha de uma ex-executiva que atuou por muitos anos no desenvolvimento de políticas públicas para mulheres, Nathalia sempre teve dentro de casa o exemplo do que é atuar em projetos de impacto. Depois de atuar por bastante tempo no setor de óleo e gás, em 2018 desembarcou em Vigo, cidade espanhola na região da Galícia, em 2018, onde iniciou seu mestrado em comércio exterior.


Atuou na área durante os dois últimos anos especializada em projetos de comércio internacional com o Mercosul, mas ainda não tinha encontrado o propósito que buscava. Até iniciar, há poucos meses, a própria LeeCoffee. Em suas embalagens, além dos cafés produzidos em países como Colômbia, Uganda, Costa Rica e Vietnã, também estão as histórias inspiradoras daquelas que os produzem.


"O objetivo não é apenas vender café especial, mas fortalecer uma rede colaborativa entre mulheres de diferentes países, visando união, expansão e o reforço de toda a rede. E assim, garantimos que a história e a origem também sejam consumidas e saboreadas nos cafés do dia-a-dia", afirma.


Produtora da CoopeTarrazú, na Costa Rica

Em sua definição, a LeeCoffee chegou para unir sabor, aroma e solidariedade em um mesmo pacote de café, destacando a história e o trabalho das famílias produtoras. Entre as produtoras estão a CoopeTarrazú, cooperativa da Zona Cafeeira dos Santos localizada na região de Tarrazú, na Costa Rica com mais de 5 mil membros. A produção é feita de maneira solidária e sustentável, gerando melhor qualidade de vida para as famílias.

Todo o produto é importado para a Espanha, onde chega em sua versão bruta e é nacionalizado por Nathalia e sua equipe. A operação local se encarrega de tostar e embalar os diferentes tipos de produto.


Apoio para mulheres vulneráveis


Uma outra vertente que tem encantado os consumidores é o fato de que 10% das vendas líquidas serem dedicados a projetos sociais que apoiam mulheres vítimas de violência.


Os cafés das produtoras rurais de Brasil, Colômbia, Uganda e Costa Rica já estão à venda no mercado espanhol por diversos canais, entre eles o próprio de e-commerce do site da LeeCoffee, a distribuição pela Amazon, além de pontos de venda físicos e estabelecimentos com os quais Nathalia fechou parceria. A intenção é gradualmente exportar para outros países europeus e, quando possível, comercializar também no Brasil.


Embora sem ter a possibilidade de percorrer mais países em busca de fornecedoras durante a pandemia, a empresária criou uma rede de prospecção à distância e começará suas viagens em busca de mais produtoras neste final de ano e início de 2021. O roadshow inclui o Brasil e regiões como Paraná, São Paulo, Sul de Minas Gerais e Bahia. O objetivo futuro, segundo Nathalia, é criar novas linhas de cafés produzidos em vários outros países, entre eles a Índia.


"Assim como eu, mulher e mãe solo, existem milhares de outras pessoas que estão se movimentando. Quero dar voz e visibilidade a essas mulheres. Pretendo fazer filmes, gravar mais entrevistas e colocar toda essa história em rede. O objetivo é ter verdadeiramente um café com rosto de mulher. O que vende é a consciência e vemos que cria uma onda de carinho, amor e solidariedade", resume.


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