#Elavence Perfil - A diversidade representada por bonecas

Aneesa é uma marca de bonecas pretas criada pela empreendedora Jozi e nasceu para trazer representatividade no dia a dia de crianças e adultos.


DA REDAÇÃO DO ELAV - Jozi Beatriz, moradora da cidade de São Paulo, é a criadora da marca Aneesa, um e-commerce especializado em bonecas negras. A ideia de comercializar as bonecas iniciou em 2017 quando quis presentear uma criança com uma boneca negra, mas após pesquisar em diversas lojas, não encontrou.


Frustrada, não desistiu de pesquisar e encontrou uma boneca na internet, como queria, e ao invés de comprar uma, comprou três bonecas. Jozi ficou tão encantada com a boneca e passou a levar para todos os lugares que ia, inclusive, deixava na mesa no trabalho e chamou atenção de muitas pessoas que pediam para que ela comprasse uma igual e observando o interesse das pessoas em adquirir a boneca, viu uma oportunidade de negócio e assim nasceu a Aneesa.

Além de empreendedora, Jozi é professora e reflete sobre a falta de representatividade que as crianças ainda sofrem, como adulta e mulher negra, também entende que durante a própria infância não também não tinha brinquedos que a fizessem se sentir representada. “Nós temos hoje em evidência dois personagens negros que é a princesa Tiana e o Pantera Negra, as crianças não conseguem se imaginar para além de uma princesa ou um super herói. A boneca é a primeira companheira da criança e o boneco também perpetua a visão de poder sonhar”, diz.


Para a criadora das bonecas, além de se reconhecer, é importante que as crianças possam brincar do que elas querem ser.


Jozi ressalta como a boneca realmente faz parte do dia a dia da criança e como é importante se sentir representada e relembra de uma de suas vendas para uma cliente que era mãe de uma criança que tinha como característica física os cabelos crespos, mas sempre ouvia piadas sobre o cabelo. “A mãe queria muito ressignificar o momento, fazer que a filha acreditasse na beleza dos seus traços e ela falou que a boneca que eu vendia seria perfeita, pois tinha o cabelo crespo igual o da filha e elas poderiam brincar juntas enquanto penteava os cabelos da filha, a filha pentearia os cabelos da boneca”, relembra.


Empreender não estava nos planos, concursada, Jozi acreditava que seguiria apenas como pedagoga, mas o empreendedorismo bateu em sua porta e ela começou a dividir a rotina entre o trabalho e a empresa que até então era apenas para complementar a renda. Ao longo do caminho os desafios vieram, entre um deles lidar com toda parte administrativa da empresa.


Uma curiosidade sobre a loja de bonecas é que uma de suas personas são mulheres adultas, que não tiveram uma boneca que as representasse na infância e agora podem realizar um sonho de finalmente de reconhecer uma boneca. “Eu tenho clientes que são mães e que compram essas bonecas para as filhas para evitar que elas passem por esse processo de não se reconhecer”, diz.


Anessa significa companheira e a ideia do nome surgiu através de um grupo que Jozi participa no Facebook chamado Resista Preta que possui mais de 40 mil pessoas participantes que compartilham seu dia a dia e trocam experiências. Nessa comunidade surgiu a ideia de criar uma história em quadrinhos que uma das personagens teria esse nome, não saiu do papel, porém o nome Aneesa ganhou um novo destino.


Os sonhos para Aneesa são altos, a equipe ainda é pequena, Jozi conta com duas pessoas que cuidam do marketing digital da empresa e com a tia que faz os moldes e costura as roupas das bonecas. O e-commerce, que era um objetivo, virou realidade e deseja que a Aneesa seja reconhecida como uma empresa de representatividade da infância e já está ampliando com novos produtos e criou uma grife e camisetas, quer trazer mais diversidade, como bonecas orientais, brancas em cadeira de rodas e muitas outras de um mundo com pessoas tão diversas.


É importante ressaltar que o mercado de bonecas pretas ainda é muito pequeno. Segundo um levantamento realizado em 2020 pela Cadê Nossa Boneca, da organização Avante, as bonecas negras representam apenas 6% do total disponível nos sites de fabricantes da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).


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