#Elavence Perfil - Da China para o Brasil: o ensino ultrapassa fronteiras continentais

“A chinesa da china mesmo” comanda o canal no Youtube, Pula Muralha, e ensina sobre a língua e cultura chinesa através de sua edtech Clube de Chinês.


DA REDAÇÃO DO ELAV - Vindo como intercambista de mestrado em Linguística da China para o Brasil, numa parceria da Universidade de Wuhan com a UNESP, para dar aulas de mandarim, Si Liao se apaixonou pelo Brasil e suas belezas. Emendou um mestrado em Relações Internacionais e construiu sua própria trajetória, já somando 10 anos no Brasil! A empresa que comanda hoje, Clube de Chinês, oferece o maior curso de mandarim do país, alcançando quase 400 cidades em território nacional e fora dele. Os números da empresa são excelentes, o que se dá pelo crescimento da mesma, que chegou a um total de 36 mil alunos inscritos no curso experimental.

A edtech, startup de educação, surgiu a partir de um canal do Youtube, Pula Muralha, que aborda de maneira leve e descontraída a cultura chinesa, derrubando preconceitos e estimulando interesse pela cultura oriental. O canal homônimo está ativo até hoje e é o maior da plataforma comandado por uma chinesa, somando mais de 740 mil inscritos.

Sisi construiu uma carreira brilhante e mostrou ser forte o suficiente, resiliente e persistente, encorajando mulheres a serem donas de seus próprios negócios, a manterem os estudos, e garantir o sucesso desejado. Por muito tempo, as mulheres foram silenciadas e tidas como incapazes de possuir e manipular bens, negócios e projetos em geral. Essa tarefa ficou reclusa aos homens. A sociedade carregou e ainda carrega vestígios do patriarcado, mas pequenas mudanças são grandes conquistas.


Nascida em uma cidade do interior da China, em Yuè Yáng, Si Liao (ou Sisi, como é conhecida pelos mais próximos) costumava caminhar perto de sua casa e imaginar o que haveria depois do mar. O mundo se resumia a China e Japão para ela quando era pequena. E o “mar”, na verdade, era o lago Dòng Tíng Hú, um dos maiores da China.


Tempos mais tarde, Sisi se mudou para a metrópole de Wuhan para estudar Literatura e Língua Chinesa na Universidade de Hubei, a uma hora de trem-bala de sua cidade natal.


Mas o que Sisi não esperava era que, após o novo milênio, o mandarim seria uma nova tendência global e que, em 2011, a China seria a segunda potência econômica do mundo. E muito menos, Sisi não esperava pelo que aconteceria em 2020, Wuhan como epicentro de uma pandemia histórica: a COVID-19.


Sisi, acreditou no seu sonho, “Desde muito pequena eu gostava de brincar de dar aula dentro de casa”, afirma com felicidade a chinesa. E, assim, decidiu se especializar no ensino de mandarim para estrangeiros e se formou no mestrado de Linguística na universidade que, mediante o Instituto Confúcio, mantém uma parceria acadêmica com a Unesp (Universidade Estadual Paulista) — o instituto é o órgão no Brasil autorizado pelo governo da China a realizar os exames de proficiência de língua chinesa.


Quando Sisi fez 24 anos, cruzou o mundo pela primeira vez, em fevereiro de 2011. O seu propósito era dar aula de mandarim no Instituto Confúcio durante o período de 10 meses. “Mas a verdade é que esses 10 meses se transformaram em 10 anos e eu ainda estou no Brasil”, conta a empreendedora do Clube de Chinês, curso online de mandarim.


Pula Muralha - O seu canal do Youtube


A “chinesa da china mesmo” gostou do clima tropical e dos brasileiros. Deu aulas para alunos de 15 a 60 anos, através do Instituto Confúcio, conheceu amigos que a levaram para passear no Parque Ibirapuera e experimentou a famosa feijoada brasileira nos bares e frutas nas feiras.


O motivo de ficar no Brasil, ao invés de retornar para o seu continente natal, foi o brasileiro chamado Lucas Brand. Mas antes de ficarem no Brasil, o casal retornou para a China, pois Lucas foi estudar na Universidade de Hubei e Sisi concluir o seu mestrado, ao longo de 2013. Já em 2014, o casal retornou para o Brasil novamente e fundaram o canal do Youtube “Pula Muralha”, onde a empreendedora Si Liao apresentava curiosidades sobre a cultura chinesa e lições básicas de mandarim. Foi a partir de então que Sisi começou a se apresentar como “A chinesa da China mesmo”.


Muitas pessoas começaram a questionar Sisi se ela era chinesa ou descendente nascida no Brasil. Si Liao estudou português por quatro meses antes de se mudar para o Brasil. No Brasil, continuou o aprendizado no dia a dia.


Clube de Chinês - A edtech dos seus sonhos

"Lucas me dizia: você está na internet, você pode ensinar chinês para o Brasil todo, para o mundo inteiro", conta ela, que na época estava dando aulas em uma escola de idiomas e iniciando outro mestrado, desta vez em Relações Internacionais.


De olho no mercado, eles decidiram catapultar o Pula Muralha, que passou de um canal no YouTube para uma startup "edtech", de ensino de mandarim online, com material didático próprio e mais de 40 mil inscritos no Clube de Chinês.


O primeiro passo foi uma campanha de crowdfunding, em 2015, para produzir as Cartas Mágicas de Chinês, uma série de 60 ilustrações com ideogramas que, combinados, podem compor mais de 140 palavras. A ideia inicial era angariar R$ 26.888, mas no fim, a campanha saltou e totalizou R$ 44.731.


Atualmente, a sua plataforma reúne videoaulas no YouTube, cursos online e aulas particulares.


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