#Elavence Perfil – Autoconhecimento: um novo recomeço

A determinação e dedicação ao aprendizado, ajudou Ana Paula a reestruturar sua vida, se autoconhecer e buscar novas oportunidades.


A história de Ana Paula, 39 anos, é entrelaçada com a cozinha, desde a adolescência vendia trufas na escola. Na faculdade foram os doces que a ajudaram a pagar contas e ao se formar em administração aceitou o desafio do pai para administrar um box que vendia coco e adquiriu diversas experiências gerenciando restaurantes. Atualmente possui um projeto de uma revista para empreendedores donos de restaurante, mas só se encontrou quando identificou que precisava se autoconhecer.


O box de coco era localizado no Ceasa de Sorocaba, foi um desafio para toda família, por isso para entender melhor sobre o produto, Ana, que ainda estudava administração, viajou para Fortaleza, Ceará para conhecer a roça de coco e compreender todo o processo de logística também.


“Eu tive que aprender sobre o tempo, como era o clima lá, não podia colher com chuva, eu tinha que cuidar de todo o trajeto, porque o coco não podia ficar preso. Tudo isso influenciava na qualidade que ele chegava aqui, demorou um tempo para eu aprender tudo”, relembra.


Após todo aprendizado, percebeu que no inverno as vendas caiam, foi necessário pensar em uma alternativa, afinal havia parado de produzir os doces e toda a sua energia estava somente no box. Para não deixar de lucrar, resolveu diversificar e incluiu outros produtos, começou a fornecer hortifruti.


O diferencial do negócio da família, era a disponibilidade de Ana em ajudar os clientes que compravam com ela, dando consultorias, principalmente para donos de restaurantes sobre a quantidade certa e qualidade do produto para evitar, inclusive o desperdício de alimentos dos restaurantes.

“Em 2006 eu vi um potencial em entregar hortifruti em condomínio até comecei esse trabalho, mas meu pai me desencorajou falou que isso era loucura. Onde já se viu fazer pedido pelo celular e eu entregar em casa. Eu já era visionária nessa época e só percebi isso depois de muito tempo. E em 2020 foi um verdadeiro boom no mercado. E tive a confirmação que eu já tinha identificado essa oportunidade há anos atrás, e que eu não era louca como diziam”, conta.


Em 2007 foi preciso fechar o box, muitos mercados grandes começaram a chegar na cidade e houve uma crise econômica. Nesse ano, de portas fechadas, a administradora retorna para Campinas, São Paulo e volta a procurar emprego. Se tornou gerente de restaurante, pois já tinha a habilidade de trabalhar com o fornecimento para área.


Parar e recomeçar

Já dizia o ditado: nem tudo são flores. Ana precisou fazer uma cirurgia, diagnosticada com obesidade mórbida, passou por um processo de depressão e tentou suicídio por três vezes. Devido a obesidade realizou uma cirurgia e durante o período de recuperação, estava assistindo televisão e viu um programa falando sobre alimentos diet e light e se interessou pelo assunto, em um momento tão difícil, foi um estalo para uma mudança em sua vida.


Por iniciativa própria começou a fazer um estudo sobre o mercado diet e light, ligou para ONGs, e enviou a pesquisa para a empresa Nestlé avaliar. Em forma de agradecimento, a pesquisa rendeu dois treinamentos na empresa sobre desenvolvimento para aprender como transformar os produtos em diet e light.


Isso deu um gás de animação, logo veio um novo desafio. Um amigo de Ana, era proprietário de um bar, que estava falindo, e pediu ajuda para reerguer o local. Usando toda sua experiência de vivência na cozinha, identificou que o restaurante precisava de um produto novo. Pesquisando, encontrou uma pizza com massa de polenta, viu a receita no Mais Você, programa exibido na rede Globo apresentado por Ana Maria Braga. Era necessária uma receita sustentável e que não gerasse tantos gastos, não tinha mais onde tirar investimento. Após vários testes com a receita, resolveram criar a noite da polenta, com um cardápio variado. A ideia rendeu tanto para o restaurante que devido ao grande sucesso do dia da polenta foi entrevistada pelo programa Empresários de Sucesso como revelação e inovação entre 57 cidades do interior.


De volta aos doces

Após a experiência no bar do amigo, resolveu que voltaria a abrir a cozinha, colocou a mão na massa e voltou a confeitar os doces. Produzia durante a manhã e a tarde saia para vender.

Começou a fazer doces para casamento, inclusive em 2013 foi premiada como confeiteira revelação de doces finos em Campinas e Hortolândia. O negócio cresceu muito rápido, já estava faturando, sabia que estava em um momento que precisava investir mais, porém não tinha condições e decidiu fechar.

Voltou a trabalhar novamente como gerente em restaurantes, prestou serviço no Divino Fogão e no restaurante Jin Jin, lá aprendeu muito, mas partiu para um novo desafio e começou a trabalhar em uma distribuidora de hortifruti, que era uma das especialidades de Ana, foi o lugar onde se ergueu, trabalhou por dois anos e obteve muitos resultados.


Uma pausa para o autoconhecimento

Apesar de obter bons resultados por onde passava, Ana sentiu que precisava dar uma pausa.

“Eu sempre achei que precisava aprender mais, que faltava alguma coisa, eu era boa, mas poderia me tornar ainda melhor, apesar de ter ótimos resultados eu sentia muito medo, era muito insegura, entre outras coisas. E o desenvolvimento pessoal entrou na minha vida primeiro para o autoconhecimento onde descobri muitas crenças limitantes que me impediam de ter melhores resultados, eu na verdade não me sentia merecedora do sucesso, e descobri por que através do autoconhecimento”, diz.


Como estava sempre em desenvolvimento, se deparou com o Desafio CF7, e se identificou muito com a empreendedora e investidora Camila Farani, pois acredita que passou por desafios muito parecidos com o dela e começou a se questionar por que a Camila obtinha resultados e ela não!

“Levei muito tapa na cara e descobri o quão boa eu era no que eu fazia, que eu era uma líder que trazia resultado. Ela me mostrou meu lado profissional. Adquiri confiança e fui ficando mais forte. Ao fazer o DNA lucrativo percebi que me faltou técnica, mas que fazia intuitivamente. A clareza foi imensa. A minha bagagem intelectual e experiência já me dava estrutura para dar consultoria. E hoje estou com uma mentoria reestruturando minha vida profissional e em poucos meses a decisão já traz ótimos resultados”.


Um projeto atual que Ana está produzindo é uma revista on-line, chamada Empreender em restaurante, iniciou em uma brincadeira com uma amiga, fazendo uma propaganda simples, então surgiu a ideia de uma revista bem amadora, por sinal, e para a segunda edição resolveu ler mais e estudar, para que a segunda edição fosse mais profissional.


“A terceira edição ficou fantástica. O intuito da revista é trazer histórias de superação de pessoas comuns. Para a segunda edição não achei nada no mercado falando do dia a dia, trazendo dicas de sazonalidade de produto, falando de liderança e dos desafios do pequeno empreendedor do ramo, principalmente para as mulheres, resolvi dar voz a elas”, conta.


Novos planos

Atualmente, Ana Paula Santos, está reestruturando a vida profissional, deseja abrir o próprio café, também é apaixonada por confeitaria, pois para ela significa construir memórias e fazer parte de momentos incríveis de grandes conquistas, representa união e amor.


“Não sei como seria fazer outra coisa a não ser cozinhar e confeitar. Futuramente quero criar um projeto para dar base de como empreender na área alimentícia, dar um novo recomeço para mulheres que sofreram abuso e ajudá-las a reescrever suas histórias e refazer suas vidas. Hoje vivo a minha melhor versão e tenho uma vida de propósito, mas o mérito não é só meu, porque muitas vezes era Deus, meu travesseiro e eu. Uma coisa tenho certeza nunca vou deixar de aprender porque cada empresa é única, como cada ser humano é único e viver essa experiência não tem preço, ensinar para aprender”, diz.


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