#Elavence Perfil - Brechó: um negócio rentável e com impacto sustentável

Cláudia da Cruz, é uma jovem empreendedora que deixou o CLT para investir em um brechó na cidade de Sorocaba, acreditando na moda sustentável e colaborando com a sua comunidade.


DA REDAÇÃO ELAV - A compra de roupas em brechós, peças de segunda mão tem virado tendência nos últimos anos. Segundo uma pesquisa realizada pela Global Data, empresa de análise de varejo, revela que o valor movimentado pelo segmento de vendas de segunda mão deve ir de US$24 bilhões para US$51 bilhões até 2025.


No Brasil, os brechós também são tendência, Claudia Caroline da Cruz, 26 anos, moradora da cidade de Sorocaba, São Paulo, inaugurou em 2019 o Brechó Troca de Gaveta. A inquietação do negócio começou quando trabalhava em uma multinacional e queria comprar roupas sociais, pois observava no ambiente corporativo como as pessoas se vestiam e gostaria de estar bem vestida também. Durante a busca por peças de roupas, se assustou com o preço, não era acessível, levando em consideração que ainda era jovem aprendiz e não recebia um grande salário.


“Conversando com a minha mãe, ela me deu a ideia de comprar roupas em brechó, foi amor à primeira vista. Eu confesso que no início tinha vergonha de comprar roupas em brechó daqui da cidade porque eles tem característica de bazar, as roupas são amontoadas e quase precisamos mergulhar para achar alguma coisa”, relembra.

O negócio iniciou na garagem de casa, separou as próprias roupas, pediu algumas para mãe, para o noivo e de também para os amigos e transformou o espaço em uma loja. Para se manter continuou trabalhando na empresa e a mãe ficava na loja para realizar as vendas. A ideia era entender se o negócio seria rentável e se desse certo, Claudia, sairia do CLT e se dedicaria somente ao brechó.


Além de acreditar que usar peças de segunda mão é sustentável, Claudia, apoia projetos sociais da sua comunidade, por isso tem parcerias com algumas ONGs. Muitas doações de roupas chegam o tempo todo nessas instituições e ela realiza o garimpo comprando as peças que estejam de acordo com o perfil do público. Se as peças não forem vendidas em dois ou três meses voltam como doação para ONG.


“Eu não compro de pessoas físicas, tem várias pessoas que tentam vender e eu incentivo que elas doem para essas instituições para que depois a gente consiga comprar delas e repassar o valor”, diz.


Quando criança, fez parte de um projeto de uma das intuições que tem parceria, e hoje está feliz em poder contribuir com seu trabalho, comprando as peças que são doadas.


Cláudia é formada em um curso técnico de administração, também estudou Processos Gerenciais e possui MBA em Psicologia Organizacional. Atualmente o brechó é sua única fonte de renda, estava desgastada psicologicamente e a independência para os negócios sempre a chamaram, inclusive, quando criança vendia produtos que ela mesmo produzia, como sabonetes artesanais e uma vez até fez a famosa limonada para vender na porta de casa, como nos filmes que éramos acostumados a assistir.


“A independência sempre me chamava, mesmo estabilizada havia internamente uma busca por algo que me desse tempo de qualidade com a família, não desgastar a saúde mental, que pudesse colaborar com o desenvolvimento da minha comunidade e dar identidade ao meu propósito de ser”, diz.


A empreendedora comenta que as pessoas, principalmente o público jovem, que atualmente são os que mais consomem produtos de segunda mão são os que têm uma preocupação maior com a parte ambiental e sustentável e isso não ajuda somente com o segmento de roupas, mas com diversos outros segmentos como a reciclagem e a valorização de produtos artesanais.


“É um público que abriu a mente e tem orgulho quando compram uma peça por um preço barato de uma qualidade boa e isso me ajuda muito. Eu consegui validar meu negócio em seis meses, porque quando a gente foi para as redes sociais é um público que é aberto, um público que está conhecendo e isso me ajudou demais para quebrar esse paradigma que é o brechó”, comenta.

Cláudia acredita que a influência para comprar roupas em brechó deixou de ser apenas por um motivo financeiro e passou a ser também uma causa, uma bandeira que as pessoas levantam para a conscientização. Se sente como uma peça, observando o universo da moda sustentável que ainda está em crescimento e enfatiza que cada brechó que surge ou cada empresa de reuso que surge é uma peça pequena de um quebra cabeça que vai ser montado e que está ganhando espaço e força.


“Hoje eu tenho um sonho, consolidar meu amor por sustentabilidade e moda em uma empresa que fomente o setor de moda sustentável e promova estilo com preços acessíveis a todos os consumidores de moda e estilo. Minha missão na vida, além de deixar um legado na moda sustentável, é ter auto realização como mulher, batalhadora e empreendedora”, diz.


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