#Elavence Perfil - Carreira 50+: O desafio de recolocação no mercado de trabalho

Rose Azzalin, tem uma experiência extensa no mercado de trabalho, mas após ser demitida se deparou com a dificuldade de continuar no mercado de trabalho e se reinventou empreendendo.


DA REDAÇÃO ELAV - Você já assistiu o filme Um senhor estagiário? Sem muito spoiler, um dos personagens é Ben Whittaker, interpretado por Robert De Niro que aos 70 anos, aposentado e levando uma vida monótona, decide se inscrever em um programa de estágio para terceira idade em uma empresa. Um dos seus desafios é se enturmar com a geração cheia de tecnologias e de que sua experiência profissional, ao longo dos anos, ainda podem ser de grande valia. Essa história nos faz refletir sobre o tempo. Qual a idade para começar ou recomeçar um projeto, buscar um novo emprego , se recolocar no mercado de trabalho ou até mesmo começar um novo estudo? A resposta é que não existe a idade certa.


Rose Azzalin, 62 anos, assim como o personagem acima, também busca por uma nova recolocação no mercado de trabalho. É um exemplo de uma profissional que já beneficiou e ainda beneficia muito a sociedade com o seu trabalho que vem de uma longa jornada de experiências em grandes empresas multinacionais, porém aos 57 anos, ao final de um tratamento de câncer, foi demitida e não conseguiu recolocação no mercado de trabalho.


“Mudei a minha área de atuação e deixei de ajudar empresas que estavam no momento de internacionalizar para ajudar empresas que estão começando a engatinhar: as famosas startups. Entrei nesse mundo junto com a minha filha e fui muito bem recebida pela comunidade empreendedora de São Paulo. Sou mentora de vários projetos muito incríveis”, diz.


A luta por conquistar um lugar no mercado de trabalho não vem de agora, desde muito nova já ajudava a mãe trabalhando no empório da família. Nunca gostou de realizar tarefas domésticas como lavar, passar e cozinhar. Sempre quis sua independência e enquanto muitas meninas eram preparadas para cuidar de um lar, Rose, buscava por uma carreira. Algumas de suas experiências, ainda muito jovem, enquanto cursava o colegial era dar aulas de alfabetização em cortiços, mas foi aos 18 anos que os primeiros desafios vieram. Com apenas um curso técnico em administração de empresas e datilografia, conseguiu a primeira oportunidade.


O setor em que Rose trabalhava era na área de sistemas e datilografava os manuais de sistemas, a equipe de trabalho eram 101 homens e confessa que precisou fazer terapia para lidar com o meio em que estava convivendo.


De tanto digitar os manuais, se interessou pelo assunto e começou a estudar, como autodidata que é, a biblioteca era um dos locais que mais frequentava, até que teve a oportunidade de trabalhar com microcomputador e começou a aprender sobre desenvolvimento. Esse foi apenas o início da carreira de Rose. Ao longo dos anos adquiriu experiências em outras por onde atuava como internacionalização de empresas, estratégias de vendas, qualificação de leads e consultorias de vendas. Sempre foi muito empenhada em tudo que fazia e aceitava desafios, na primeira empresa em que trabalhou subiu de cargo rapidamente.


Não conseguir um novo emprego após a última demissão foi um susto, era algo inesperado, olhando para trás e tendo a certeza de toda a experiência que possuía, não só pelas empresas em que passou e viagens internacionais a trabalho que fez ao longo do anos, mas por todo investimento em MBA também. “Sinto que ainda tenho muito para colaborar e enquanto eu estiver viva eu quero poder criar e ser útil para a sociedade”, diz.


Foi necessário se reinventar, Rose abriu a própria empresa junto com a filha, além das mentorias para empreendedores que estão começando com startups, Rose vende um serviço que fornece um sistema para igrejas católicas. A ideia é digitalizar e melhorar a comunicação das igrejas com os seus fiéis, desenvolvendo sites e aplicativos.


“Estou em um momento de transição que eu preciso continuar trabalhando, eu preciso fazer isso de novo, eu tenho 62 anos, mas quero trabalhar até meus 80 anos, mas já que tem esse preconceito com a idade, vou fazer algo para mim. Acredito em equipes multigeracionais. Contratar alguém que já fez o que você está tentando fazer pode acelerar radicalmente seu tempo para o sucesso. Os 50+ são profissionais com muita bagagem e que já desenvolveram soft skills que só se ganham com o tempo ou com muito autoconhecimento, que também leva tempo. Eles já passaram por muitas viradas tecnológicas e comportamentais e hoje são pessoas resilientes e que abraçam a mudança”, diz.


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