#Elavence Perfil - Empreendendo em família: distribuindo sementes e gerando impacto social

Atualizado: Mai 10

Conheça a história da empresa Papel Semente, que surgiu depois de um e-mail enviado de um filho para a mãe, padrasto e pai e está no mercado há anos empregando pessoas e gerando impacto na sociedade.


DA REDAÇÃO ELAV - Era uma árvore, foi cortada, processada, passou por vários procedimentos químicos até se tornar papel. O papel foi usado, talvez tenha virado um rascunho, um boleto, uma nota fiscal ou para outro fim. O destino dele era o lixo, mas do lixo ele foi resgatado, tratado e voltou a ser papel, mas desta vez é um papel que dá vida, que pode ser plantado e a partir dele nascer flores, verduras ou ervas.


Este é o trabalho da Papel Semente, uma empresa que começou a nascer quando Luís Felipe Di Mare, filho da Andrea Carvalho propôs que ela, o pai e o padrasto abrissem um negócio.


A empresa está no mercado há 11 anos e já reciclou em torno de 58 toneladas de papel, 90% dos funcionários residem na comunidade de Guaxindiba, São Gonçalo no Rio de Janeiro, onde é a sede da fábrica. Além disso, a empresa possui 7.800 clientes e já palestraram em universidades, escolas e empresas com o intuito de sensibilizar as pessoas para as causas ambientais, sociais e de empreendedorismo.


Andrea, nascida no Rio de Janeiro, começou a empreender após a maternidade, caso de muitas mulheres que dão o primeiro passo do próprio negócio por necessidade, e apesar de ter todo o auxílio do pai do filho, precisava se manter, já que era mãe solo. Durante a gravidez realizou um curso de culinária e seu negócio era produzir refeições que pudessem ser congeladas para consumo durante a semana.


Aos 21 anos, Andrea se relacionou com uma pessoa e infelizmente viveu tempos difíceis em que sofreu violência doméstica, mas foi o empreendedorismo que a salvou, quando montou um quiosque de café em um shopping no litoral de São Paulo e pode ter sua independência financeira. Mas a empreendedora não fechou o seu coração para novos relacionamentos, após alguns anos encontra o seu parceiro de vida, Paulo Candian, com quem divide sua vida até hoje.


Os desafios não pararam por aí, o casal recebeu o convite para abrir um negócio na cidade de Palmas, Tocantins, era uma cidade muito nova e havia grandes oportunidades de um novo negócio vingar. Mas a realidade foi outra e retornaram para a cidade de Atibaia em São Paulo e abriram uma pizzaria delivery. Já estabilizada, Andrea é diagnosticada com princípio de depressão e uma amiga a apresentou a uma ONG e ela se tornou voluntária em um projeto que trabalhava com uma oficina de papel reciclado e teve a oportunidade de se tornar coordenadora socioambiental da instituição.


Uma vez mãe, mãe para vida toda, Andrea foi surpreendida quando o filho estava com a idade em torno de 15 anos e decidiu que iria morar com o pai, na cidade do Rio de Janeiro. Rapidamente Andrea resolveu que também se mudaria. O retorno para a cidade natal, demorou em torno de um ano. Nesse período, Luis Felipe, filho de Andrea, estava fazendo um intercâmbio no Canadá e enviou um e-mail para o pai, copiando a mãe e o padrasto com a proposta de que eles abrissem um negócio juntos.


“Pra mim foi uma coisa natural, tanto o meu pai biológico, quanto meu padrasto e minha mãe tem esse perfil de empreendedorismo, de audácia e de coragem em arriscar e fazer as coisas, então quando teve essa oportunidade, esse gancho de voltarem para o Rio eu pensei que quem estava mais próximo e poderia ajudar era meu pai. Como eles mantinham uma relação boa, meu pai morava no Rio de Janeiro a mais de 20 anos, trabalhava em varejo e tinha muito network, era a chance do negócio acontecer”, relembra Luis Felipe.


Luis Felipe, já até pensou em estudar teatro, mas o lado da administração, curso que decidiu fazer na graduação e o empreendedorismo sempre falaram mais alto, inclusive trabalhava com os pais em suas antigas empresas.

“Eu dizia que ou o Felipe iria ser empreendedor, seguindo os nossos caminhos ou ele iria para o lado oposto, querer ter uma vida regrada, com salário e holerite todo mês, porque ele viu a gente passar tanto sufoco empreendendo. A gente tinha um negócio em Atibaia, a gente vendia a pizza na janta para comprar o almoço no dia seguinte. Então eu pensava que era tanto sufoco que o menino ficou traumatizado, mas na verdade eu acho que ele viu também tanta força da gente estar se reinventando”, conta Andrea.


Quando Luis Felipe propôs a sociedade, logo imaginaram que iriam abrir um negócio que envolvesse alimentação, afinal era a zona de conforto, mas a experiência que Andrea desenvolveu na ONG foi fundamental para baterem o martelo e decidirem investir na fábrica de papel.


Para Andrea o Papel Semente é uma inovação e relembra que Paulo, seu marido, afirmou que daria muito trabalho, mas que por outro lado o sentimento empreendedor da novidade foi mais forte. “Para mim veio mais forte porque veio alinhado com meu propósito de vida, então você pensa que vai iniciar um negócio, que você olha para trás e vê sua trajetória alinhada com aquela coisa de poder ajudar outras pessoas, para mim é muito claro, a papel semente ter esse papel de gerar emprego”, diz Andrea.


Os produtos produzidos pela empresa são considerados, pela empreendedora, uma ponta do iceberg, existe a preocupação com o socioambiental, mas além disso há um trabalho realizado com os catadores, inclusive possuem uma cooperativa para os catadores, gerando renda para as famílias. Quando iniciaram recebiam muitos currículos de pessoas sem experiência, mas que precisavam trabalhar, eram currículos simples, às vezes preenchidos à mão. Este ano a Papel Semente completa 12 anos e há funcionários que estão na empresa há 10 anos, inclusive publicaram na conta do Instagram um vídeo em que eles se apresentam e falam sobre a importância e do impacto do trabalho que realizam há tantos tempo que você pode conferir clicando aqui.


Luis Felipe comenta que um dos propósitos da empresa, que inclusive faz parte da missão, é de levar encantamento e incentivar o consumo consciente na sociedade e no âmbito familiar. “É um super gancho para eu ver as coisas e fazer as coisas de forma diferente. Quando a gente entrega isso para um cliente, que entrega para o cliente dele, todo mundo nesse caminho vê. No inconsciente das pessoas, por mais que ela não pense, ela não formule isso, ela está com um negócio na mão que é diferente e faz elas pensarem que as coisas podem ser feitas de formas diferente, não tão óbvias, isso vai de encontro ao propósito da empresa, com a minha visão de mundo e também com o que gosto muito que é de pensar e refletir seja para criação de novas coisas ou para readequação para o que a gente já faz” relata.


Andrea e Luis Felipe finalizam falando sobre o fato de ser uma empresa familiar, enfrentam muitos desafios e que precisam pensar pelo bem do negócio e às vezes olha para o filho que é mais novo e que se preocupa pelo fato de não ter a mesma experiência que tem, mas que isso é uma lição para quem é mãe e pai de se reavaliar e ouvir o filho, trabalhar um exercício de troca e de humildade e perceber que muitas vezes o filho até pode saber mais do que quem tem mais experiência e de dar a oportunidade aprender com eles também.


Luis Felipe afirma que é desafiador porque realmente tem muito atrito e é um desafio extra, e que precisam lidar com esses conflitos e entender o seu lugar de filho, de funcionário ou sócio e de organizar isso para que seja mais harmônico.


Conheça mais sobre a Papel Semente clicando aqui e confira o trabalho que beneficia tanto a sociedade e de uma mãe e de um filho que se empenham e que já estão construindo um futuro para um mundo melhor.


265 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo