#Elavence Perfil - Empreender na Favela: Inovação e movimentação na economia local

Atualizado: Abr 26

Conheça a história de Edilma Santos, uma empreendedora que inovou com sua loja de roupas dentro de uma das maiores favelas de São Paulo.


Ela cresceu na cidade de Barro Vermelho, Bahia. Dentre os irmãos, é a filha mais velha, quando completou sete anos de idade a família decidiu mudar para Heliópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, onde Edilma Santos, com o apoio do marido, abriu sua primeira loja no segmento de roupas, a Boutique Pimenta Rosa. Foi a pioneira na região a inovar no quesito design, reformando o espaço e trazendo como referência, lojas que visitava quando ia ao shopping.

“Quando fui reformar, muitas pessoas perguntavam se eu era louca por reformar uma loja que era dentro da favela, diziam que ninguém iria valorizar, mas eu não tinha esse pensamento, pelo contrário, eu achava que as pessoas aqui mereciam sim o melhor. Eu ia ao shopping e encontrava várias pessoas da região na praça de alimentação e pensava o porquê eu não podia levar uma loja de shopping até elas”, relembra.



O empenho pela mudança da loja tinha o objetivo de trazer o melhor para suas clientes, era muito claro em sua cabeça que o seu ganha pão vinha a partir do que consumiam. Investiu em marcenaria, comprou um computador, incluiu um sistema e melhorou a estrutura da loja.


Com a reforma concluída, Edilma, mais conhecida pelas clientes como Pimenta, organizou um verdadeiro evento. Convidou meninas, moradoras de Heliópolis para trabalharem como modelo, contratou fotógrafos, DJ, abriu um tapete vermelho na frente da loja e produziu um desfile de reinauguração com direito a coquetel! Foi de porta em porta entregando panfletos para os comerciantes que garantiam desconto na compra.


“Eu tinha uma modelo que era da comunidade, a gente tem que valorizar as pessoas daqui, é uma coisa que eu tenho comigo. A gente tem que comprar daqui, precisamos ajudar o comércio local, precisamos valorizar as pessoas daqui. Pode sair daqui da favela uma modelo que pode conquistar o mundo. Nós somos muito apontados lá fora e eu não deixava isso me abater, ninguém é melhor do que ninguém e eu queria passar isso para as pessoas”, comenta.


As mudanças não pararam por aí, em 2017, a empreendedora recebeu a proposta de abrir mais uma loja em um endereço onde havia mais movimentação de pedestres, considerado um local comercial. A insegurança, medo e apego pela primeira loja, foram sentimentos que vieram à tona e deixaram dúvidas sobre arriscar ou não em um segundo local. A proposta veio de uma amiga que também tinha uma loja e estava mudando para um espaço maior e a incentivou, acreditando que venderia muito mais e alcançaria um novo público. Um ano após administrar dois estabelecimentos, Edilma recebeu outro convite e dessa vez, para ampliar a segunda loja e tomou a decisão de fechar onde tudo começou e investir em um local maior.


Tomar essa decisão foi extremamente difícil para a empreendedora, as lembranças de como tudo começou a deixaram com receio de dar um passo maior. Edilma sempre trabalhou desde a adolescência, inclusive escondia sua verdadeira idade para conseguir empregos. Já entregou panfletos na rua e trabalhou por muito anos como vendedora.


Empreender nunca foi um objetivo, mas a ideia de abrir o próprio negócio surgiu enquanto trabalhava em uma empresa e ao mesmo tempo cursava administração. Aproveitava o horário do almoço e vendia suas próprias roupas, uma espécie de bazar. O marido, na época, trabalhava na tão famosa 25 de março, localizada no centro da cidade de São Paulo e trazia bijouterias para que a esposa vendesse para as colegas de trabalho. Edilma e seu marido perceberam que conseguiam uma boa renda com o negócio e cogitaram, neste momento, abrir a própria loja. A decisão não foi nada fácil, na época precisou lidar entre aceitar um estágio em uma grande empresa e arriscar abrindo a loja.


A resposta, nós sabemos. Edilma, abriu a loja e sempre se adaptou às mudanças e buscou novas soluções, características que são necessárias para qualquer pessoa que deseja empreender. A Boutique Pimenta Rosa, estava em um bom momento, sempre priorizava contratar funcionários moradores de Heliópolis, gerando oportunidade e trazendo crescimento econômico local. Com o tempo, Edilma se viu como o famoso “euquipe”, ou seja, fazia as compras, abria a loja, precificava os produtos, era a contadora, mãe, engravidou do segundo filho e não conseguia mais administrar tudo sozinha, foi o momento de pedir ajuda para o marido, Leandro Oliveira, que saiu do emprego e foi administrar a loja junto com a esposa.


O ano de 2020 não foi nada fácil para a empreendedora, o desânimo de ter sua loja de portas fechadas devido ao isolamento social causado pela COVID-19 a impactou de forma negativa e não tinha ideia do que faria. Leandro, por sua vez, foi a loja continuou postando fotos e vídeos das peças nas redes sociais e realizava as entregas na região, transformando a forma que por anos foi adotada. Edilma relata que venderam muito bem e viram no on-line muitas oportunidades que não enxergavam antes.


Infelizmente, além da pandemia, a loja foi furtada. O prejuízo estimou em torno de R$ 100.000,00, Computadores, peças de roupas, celulares e a nova coleção que estava estocando aos poucos também levaram. O momento foi extremamente difícil para o casal. Viram seus sonhos, o esforço de anos e toda uma história construída desabar de uma única vez. As redes sociais de Edilma foram um canal para empreendedora desabafar e descarregar suas frustrações.


Mais uma vez, a menina criada em Barro Vermelho precisou sacudir a poeira e dar a volta por cima. Com ajuda de amigos e empreendedores conseguiu reformar a loja, comprar uma nova remessa de roupas para coleção e produziu novamente uma reinauguração. Mudou o nome da loja, Boutique Pimenta Rosa para Boutique da Pimenta. Ganhou uma nova logo e mais uma vez comemorou seu recomeço em grande estilo.


A Boutique da Pimenta é um negócio da família, além do marido, o filho mais velho do casal, aos dezessete anos, também se dedica à loja. Os sonhos de Edilma, até antes da pandemia, era de abrir várias lojas físicas. Após o retorno que obteve com as vendas on-line , a empreendedora pensa diferente, deseja investir mais em seu e-commerce, aumentar seu estoque e usar o digital para entregar em todo território brasileiro. Atualmente a loja já possui até uma profissional para responder mensagens tanto no WhatsApp quanto nas redes sociais. Além disso, deseja ter sua própria marca de óculos.


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