#Elavence Perfil – Liderança feminina em ambientes corporativos

Ela iniciou sua carreira muito jovem, fez viagens internacionais a trabalho, lidou com negociações, arriscou no empreendedorismo e durante a pandemia criou duas startups.


DA REDAÇÃO ELAV - Aos 18 anos, Paola já participava de reuniões importantes, representando a empresa que trabalhava em negociações internacionais. Não teve medo de arriscar e sempre se empenhou para ser uma boa profissional.


Filha única, sempre morou com os pais e valorizou a família e aos 17 anos em vez de iniciar a graduação no curso de Comércio Exterior, planejou um intercâmbio para o Canadá que durou menos de um ano, comprou alguns cursos e para se sustentar no país transformou seus hobbies em profissão e trabalhou como professora, oferecendo aulas de violão e guitarra e em uma biblioteca.


Quando voltou para o Brasil em 2006, era época de matrícula nas escolas e universidades, antes de entrar na faculdade recebeu um convite para trabalhar em uma empresa, que hoje é de grande porte chamada Foxlux. Foi uma oportunidade que aceitou com muita determinação e sabia que precisava fazer o melhor, pois a vaga era para um profissional formado, pós graduado e que soubesse falar inglês e mandarim, de todas essas habilidades, Paola só tinha o inglês.


A princípio entrou no programa de estágio, mas antes de completar um ano como estagiária foi efetivada, já com 18 anos de idade, muita nova em seu cargo, já encarava viagens internacionais para China, Hong Kong, Vietnã, Estados Unidos, entre outros, pois era do setor de importação e representava a empresa para realizar negociações. Apesar da pouca idade, agregou muita experiência e em suas palavras agradece ao ex-chefe por ter dado uma oportunidade para que ela trabalhasse e crescesse profissionalmente.


Saber falar em inglês foi primordial para a oportunidade no primeiro emprego, pois dentro da empresa, a maior parte do tempo, a comunicação era realizada somente em inglês. “Eu jamais teria feito aquela viagem se eu não tivesse o inglês, eu poderia ser a melhor pessoa do mundo, se eu não falasse inglês eu não poderia ter ido”, relembra.

Foi um aprendizado para Paola, atuava em um ambiente totalmente diferente, não por ser somente masculino, mas por ter que lidar com uma outra cultura também. “Eu sempre agarrei com unhas e dentes todas as oportunidades, amadureci na marra e é claro que estudei muito, eu estava lá, mas estava estudando, aprendendo, pesquisando, perguntando tudo, porque não existe pergunta idiota, sempre tive o hábito de perguntar, estudar e colocar no papel”, diz.


O medo é natural, mas foi necessário enfrentá-lo, afinal se não arriscasse teria perdido oportunidades e a vida poderia ter tomado rumos diferentes.


Com a graduação do curso Comércio Exterior concluída, decidiu ingressar em um novo desafio na empresa Ambev, como supervisora de logística. “Eu sou extremamente disciplinada para as coisas do meu trabalho, então a Ambev me ensinou a gastar a sola do sapato”, diz.


Segundo Paola, ela foi a primeira mulher contratada como supervisora de logística na empresa, não se recorda se era a nível Brasil ou apenas Paraná, mas sabia da responsabilidade e desafios que tinha em mãos, já que lideraria uma equipe, em que a maioria eram homens, para ser mais exato, 33 colaboradores que ocupavam cargos de motoristas e ajudantes de caminhão.


No primeiro dia de trabalho, recebeu um assobio de um dos funcionários. Estava vestida com a camisa da empresa, calça jeans e a botina que era usada, por medida de segurança. Nesse momento foi necessário se impor. Paola cumprimentou a pessoa que havia assobiado, perguntou seu nome e informou que a partir daquele dia ela seria a supervisora da logística. “Eu tinha essa preocupação sobre postura de peito erguido, cabeça erguida, falar firme, a música sempre me ajudou nisso porque eu tinha que ter presença de palco para fazer as minhas apresentações então a música me ajudou nessa hora, eu tinha que chegar lá, a primeira coisa que passava na minha cabeça era show time, eu tenho que ser a melhor gestora do mundo para esse cara”, diz


A partir desse dia, só ganhava admiração e respeito dos funcionários, não tinha tempo ruim, se fosse necessário subir no caminhão, ela subia. “A empatia, se colocar no lugar do outro, ter paciência para ouvir, isso é algo que todo mundo tem que ter, caso contrário, não consegue ser empreendedor”. Então passou a dar voz aos funcionários, sempre ouvindo o que eles tinham para falar, muitas vezes perdeu aula por trabalhar até tarde e conseguir realizar as entregas que precisavam.


Após passagem pela Ambev, viveu sua primeira experiência como empreendedora, investindo em uma franquia da Prudential, uma seguradora no ramo de seguro de vida. Ainda muito nova, mas com muita bagagem profissional, Paola conseguiu o que poucas pessoas conseguem, quando fez a entrevista na Prudential que costumava fechar contrato com novos franqueados a idade sugerida era a partir dos 25 anos e ela conseguiu aos 24 e mais uma vez se via em um ambiente totalmente masculino e se deparou com um público que não tinha costume de trabalhar e considera que foi uma mudança radical de vida.


Após três anos de Prudential, foi convidada a atuar como gestora da área, um cargo master franqueado nível B oferecido pela empresa. Além disso ganhou uma premiação, em segundo lugar, na convenção oferecida pela seguradora em nível nacional, junto com a equipe, e isso já é um ótimo resultado, pois a empresa é americana, tem muita competição, ranking e batalhas. Foram anos de muitas conquistas, premiações e viagens internacionais.


Apesar de sempre ter bons resultados, veio a pandemia, a venda de seguros até aumentou, mas a equipe que Paola liderava deu um passo para trás, e mesmo com todo resultado dentro da companhia, precisou pensar rápido, se adaptou às reuniões on-line, criou um guia para o time que liderava, mas antes de ensinar se perguntou como poderia passar algum treinamento sem ao menos testar. Então reservou uma semana para aplicar o que havia planejado e o resultado foi surpreendente. Deu tão certo que ela quis voltar a vender, sem necessariamente ter uma equipe abaixo operando. O CNPJ permaneceu o mesmo, a única diferença é que optou por não gerenciar uma equipe e sim atuar na área de vendas.


Atualmente ainda possui a franquia de corretagem de seguro de vida, mas tem planos para o futuro, durante a pandemia junto com algumas sócias criou duas startups. A primeira é um aplicativo de delivery chamado Toc Toc. A ideia é comercializar para shoppings pequenos ou vender para algum investidor.


A segunda é uma empresa que trabalha com telemedicina, juntamente com duas sócias patentearam a ideia. O nome da empresa é Doutor Aqui, a ideia é ter um totem em locais em que você consiga fazer uma consulta on-line e explica: “Imagina você está na sua cidade ou em uma praia e você está com dor, precisa ir até a farmácia e comprar um remédio que só pode ser vendido com receita médica. Na farmácia terá um totem, com a mensagem para clicar e falar com o médico, o médico fará a consulta on-line e dará a receita para que possibilite a compra do remédio, o pagamento poderá ser realizado na farmácia ou no próprio totem”, conta.


Além de farmácia a ideia da telemedicina poderá ser implantada em empresas, academias e até em cidades que possuem precariedade na área da saúde. E sonha em que o totem chegue até em aldeias indígenas.


Eu tive muita coragem depois de escutar histórias de mulheres de sucesso, eu sou um grãozinho perto da Camila Farani, que me inspirou, então porque eu não posso inspirar uma pessoa que se sinta um grãozinho perto de mim e inspirá-la também. Muitas vezes eu acho que falta coragem, às vezes as pessoas têm outras ao redor e não ajudam tanto, eu graças a Deus sempre tive pessoas maravilhosas ao meu redor que me apoiaram, mas se a gente não der o ponta pé inicial, não tem quem o faça”, diz.


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