#Elavence Perfil - Luz, câmera e ação na confeitaria e nos negócios

Após o marido adoecer e passar por uma cirurgia no coração, Alessandra Guilherme precisou arriscar no empreendedorismo e atualmente além de receber encomendas, dá aulas sobre confeitaria e ensina receitas em programas na televisão.


DA REDAÇÃO DO ELAV - Todos nós temos alguma habilidade e talento, o da protagonista da nossa história, de longe era cozinhar, não acertava o ponto do café, ou ficava muito forte ou ralo, o famoso “chafé”. Jamais imaginaria que no futuro, seu trabalho, o negócio da família, seria justamente na cozinha, onde ela ensinaria outras mulheres a ganharem dinheiro com a confeitaria, seria convidada para participar de programas de TV e se tornaria a Chef Alessandra Guilherme, como é conhecida.


Assim como muitas histórias brasileiras, Alessandra começou a empreender a partir de uma necessidade. Trabalhava na modalidade CLT e seu marido atuava na área imobiliária como consultor, mas adoeceu e foi necessário realizar uma cirurgia no coração. A atual chef precisou tomar a decisão de sair do emprego para dar assistência ao marido e cuidar das filhas. A pergunta que martelava era: como iria sustentar a família a partir daquele momento, já que precisava ser algo que ela pudesse fazer de casa.

“Um dia eu vi um cupcake na televisão, eu me lembro desse cupcake até hoje. Era muito caro, mas que deveria ser muito barato para fazer, pelo preço que era vendido dava um lucro muito bom. Então eu decidi fazer um curso em uma confeitaria perto da minha casa e eu me apaixonei e foi a partir daí que eu comecei a fazer bolos, doces, salgados e a me especializar”, relembra.


O processo precisou ser rápido, não havia tempo para o medo e pensar se o negócio iria dar certo ou não! As contas não iriam parar de chegar e as crianças precisavam se alimentar. “Eu costumo falar para minhas alunas que a gente não sabe a força que tem até ser obrigada a ser forte", diz.


O reconhecimento não veio do dia para a noite, a busca pelo conhecimento com especializações e empenho para colocar tudo que aprendia em prática foi fundamental.


Divulgação, a alma do negócio

Ligar as câmeras e gravar vídeos jamais estiveram nos planos da empreendedora. “Eu achava que o meu rosto era muito gordinho e por isso eu não poderia aparecer na frente de uma câmera”. Mas esse medo precisou ser superado quando percebeu que somente fotos não vendiam seu trabalho, ela precisava aparecer mais, mostrar o que sabia fazer postando vídeos e realizando transmissões, as famosas lives nas redes sociais. Tomar essa atitude foi um divisor de água na carreira, as gravações deram mais visibilidade para Alessandra, produtores de TV entraram em contato e muitas pessoas começaram a conhecer o trabalho. Atualmente, apertar o rec e estar em frente às câmeras é algo que faz parte da sua rotina.


A cartela de clientes já era bem satisfatória, mas com a visibilidade dos vídeos, gerou o interesse em muitas pessoas para aprender sobre o mundo da confeitaria. “Muitas mulheres me procuravam e falavam que sofriam violência doméstica, sofriam necessidade em casa e outras histórias que me chocavam e eu me sentia doída com isso e eu ficava pensando como poderia ajudar. E o que pensei é que se no momento mais difícil da minha vida a confeitaria me ajudou a sustentar a minha casa, se eu ensinar essas mulheres a fazer bolos e doces, elas vão conseguir sair dessa situação”, conta.


Desde então, Alessandra começou a dar aulas gratuitas em ONGs e também no digital e enxergou uma oportunidade de incluir as aulas em sua rotina de forma paga para quem gostaria de começar a empreender ou que já trabalhavam no ramo, mas buscava por especializações. Esta foi a primeira situação que fez com que enxergasse nas aulas um outro produto para gerar renda. A outra situação foi a gravidez da terceira filha que era de risco, estava em ritmo acelerado e precisava dar uma pausa, senão o risco de morte tanto para ela quanto para filha seriam altos. Investiu em aulas on-line, pois muitas mulheres que buscavam pelo curso eram de outros estados. A ideia deu tão certo que o curso foi comprado em média por 6.000 alunos de todo o Brasil e até de outros países. Muitas alunas contam que abriram a própria confeitaria, outras conseguiram garantir a independência financeira e algumas começaram a dar aulas também.


Das redes sociais para a televisão

A produtora da TV Record estava procurando por um profissional que fizesse um bom trabalho na confeitaria na produção de bolos e doces, uma amiga da Alessandra viu a publicação e a indicou. No exato momento que a equipe da emissora estava pesquisando sobre o trabalho da chef, viu que ela estava em uma live e assim que a transmissão finalizou a produtora entrou em contato pedindo para que fizesse um bolo para o programa do apresentador Geraldo Luís. O desafio foi grande, Alessandra só teve 36 horas para produzir um bolo de três andares.


Desde a primeira encomenda os pedidos não pararam, sempre que a emissora precisava de um bolo, era para Alessandra que ligavam. A fama dos bolos e doces da confeitaria chegaram a produtores de outras emissoras como SBT e artistas que contrataram o serviço. A dedicação a levou finalmente a um convite para ensinar receita ao vivo em um programa de TV na Rede Brasil, o medo veio à tona novamente, mas não foi obstáculo para que aceitasse o novo desafio.


“Eu fui, eu gaguejei, a voz não saia. Foi muito engraçado a primeira vez e depois disso a equipe de lá me deu suporte e gostaram muito do meu trabalho. A Rede Vida viu, a Gazeta viu e foram aparecendo um programa atrás do outro me chamando para vários trabalhos tanto para grandes eventos como para ensinar receitas”, conta.


Alessandra coleciona quatro prêmios, um deles veio quando foi notada pela imprensa, pois foi responsável pela mesa de doces em comemoração aos 50 anos da cantora Mara Maravilha e ao especularem sua vida, viram o trabalho que ela fazia socialmente com as aulas gratuitas e resultou no prêmio na Assembleia Legislativa de São Paulo na categoria chef de cozinha como Mulher do Ano.


Driblando os efeitos da pandemia

Um levantamento realizado pelo Sebrae em 2020 mostrou que a pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos, incluindo a empresa da Alessandra que oferecia serviços de buffet e relembra que a última festa para qual havia sido contratada, antes do decreto de lockdown, era esperado em torno de 100 pessoas, mas poucos convidados apareceram, neste momento percebeu que não seria fácil e lidou com a incerteza do que aconteceria dali pra frente. Os clientes começaram a ligar cancelando e outros negociaram trocando por produtos.


“Eu já não teria mais aquela renda de buffet, foi aí que eu entrei de vez no digital e comecei a dar aulas somente on-line, porque nem o presencial eu poderia fazer mais, comecei a juntar as turmas on-line e meu pontapé inicial foi entrar em contato com as minhas ex-alunas”, relembra.


Mergulhar no digital e inovar com as aulas foram extremamente importantes para dar continuidade ao negócio, Alessandra concedeu uma entrevista para o programa Cidade Alerta da TV Record contando como driblou a falta de eventos, mantendo o negócio da família que você pode conferir clicando aqui.


Alessandra chegou a lugares que jamais sonhou, começou a vender doces com a intenção de pagar as suas contas, mas hoje se dá o direito de sonhar mais alto e busca ter um espaço maior para vender os produtos e dar continuidade às aulas presenciais. “Todos os medos que eu vencia, eu tinha uma vitória maior. E essa a mensagem que eu quero deixar para as pessoas, que você tem que vencer o seu medo, por trás daquele gigante que está ali a sua vitória”, diz.


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