#Elavence Perfil – Mãe solo, artista, empreendedora e mentora de outras mulheres

Conheça a história de Morena Poeta, atriz, cantora e diretora que descobriu sua veia empreendedora ao enfrentar os desafios de ser mãe solo e criou uma rede de apoio e mentoria que ajudam mulheres a se organizar melhor

DA REDAÇÃO DO ELAV - Todos nós já ouvimos, infelizmente, relatos de mulheres que enfrentaram relacionamentos abusivos, engravidam e são mães solo. Talvez imaginemos o quanto é difícil ter que lidar com essas situações, mas somente quem viveu sabe, com real clareza, sobre seus traumas, sentimentos e cicatrizes que são deixadas ao longo da jornada.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são quase 30 milhões de famílias chefiadas por mulheres no país.

Morena Poeta, 36 anos, moradora de Pelotas (RS) é mais uma na estatística de mulheres que sofreram por um relacionamento abusivo, desse relacionamento engravidou, é mãe solo e encontrou no empreendedorismo uma oportunidade de recomeçar.

Tinha pouco mais de 17 anos quando saiu da casa dos pais para mochilar. A busca pelo seu propósito, por ir além e por conhecer novas pessoas e lugares a levou para o Rio de Janeiro. Depois para a Chapada Diamantina, e, quando quis criar raízes em um lugar, voltou à capital fluminense, onde se dedicou a estudar artes por cerca de um ano. Posteriormente, de volta à capital gaúcha, Porto Alegre, se dedicou ao teatro, que deu a ela bagagem como atriz e cantora.

Atuar ou ganhar dinheiro?

Foram 15 anos como atriz até que o gosto pelos palcos e pela arte começou a fazer com que Morena também passasse a observar as oportunidades comerciais do setor. Após alguns anos de reflexão, acreditou que poderia dar um passo além, criando a própria organização.

"Vi que era possível não ser só uma atriz em cena, mas uma diretora, também observando o mercado, vendendo ingressos, atuando também como produtora executiva e financeira dos projetos", relembra.

Com um plano na cabeça, convidou outros colegas artistas para trabalhar com ela nesse projeto, mas não imaginava todos os obstáculos que enfrentaria como empreendedora.

"O que ganhávamos com a arte foi sempre para pagar cachês. Eu não tinha a mentalidade de uma empreendedora, mesmo sendo formalizada como MEI, não me aceitava verdadeiramente como uma produtora cultural. Não tinha liderança e não conseguia gerir bem a parte financeira, algo que hoje estudo para melhorar", diz.

Segundo ela, apenas recentemente começou a aceitar abertamente que precisa ter conhecimento e gestão financeira para liderar verdadeiramente um negócio. Isso, inclusive, superando tabus internos.

“O artista muitas vezes fica com aversão ao dinheiro, ao capitalismo. Há um conflito muito grande, o artista muitas vezes não entende que ele pode ser seu próprio agente, seu próprio empresário", relembra.

Ainda na tentativa de conviver com o sentimento de dualidade entre "fazer arte e ganhar dinheiro", Morena trabalhou como diretora, produtora, chegou a abrir um centro cultural no interior de São Paulo, mas a falta de planejamento e visão de mercado fez o negócio sucumbir. E aí, Morena faliu.

"Foi um momento que deu tudo errado, os músicos que caminhavam comigo desistiram do projeto, eu estava vivendo um relacionamento abusivo e no meio dessa confusão, engravidei".

O refúgio para sair daquela situação foi voltar à casa dos pais, em Florianópolis (SC). O pai seguia apoiando Morena para viver de arte e, embora com menos oportunidades do que em mercados como Rio de Janeiro e São Paulo, apoiou um projeto que começasse na cidade.

Com recursos captados da Lei Rouanet, criaram um projeto popular em que circulariam cidades do país em uma Kombi levando o espetáculo Poesia da palavra. O objetivo? Conscientizar jovens estudantes do ensino público em temas diversos, entre eles, direito das mulheres por meio de teatro, arte e atividades lúdicas.

A pandemia, porém, interrompeu os planos e sem a possibilidade de continuar os espetáculos presenciais, Morena precisou se reinventar mais uma vez.

"Mães" à obra

Com os espetáculos suspensos, Morena passou a investir o tempo do isolamento social nos estudos. Fez um curso de marketing digital, aprofundou seus conhecimentos e, em pouco tempo, conseguiu lançar o seu próprio curso online, junto com uma amiga também mãe.

Juntas, decidiram que iriam compartilhar com as pessoas todo o processo de organização de gestão de tempo, feito para pessoas multipotenciais e mães empreendedoras. "Acreditamos que as mulheres precisam ser emancipadas, libertadas de abusos, de sofrimento e de muitas situações que passam por não terem uma liberdade financeira. Acreditamos também que essa liberdade está atrelada a liberdade emocional também", diz.

O interessante é que a empresa nasceu com as sócias morando a milhares de quilômetros de distância: Morena em Pelotas (RS) e Gabriela, na França. Amigas de longa data da temporada em São Paulo, ambas engravidaram com pouco tempo de diferença e encontravam dificuldades semelhantes para gerir casa, trabalho e filhos. Durante a pandemia e diante da necessidade do processo de reinvenção de ambas, nasceu o curso sobre gestão do tempo.

“Eu fiquei 5 anos sofrendo, eu sofri com minha família porque eu não tinha como trabalhar o dia inteiro sendo mãe solo. Eu até consegui, por alguns meses, deixar meu filho em período integral na escola, mas não era sempre, meus pais ajudavam, ficavam com meu filho, mas sempre me cobrando, então eu preferia ficar com meu filho do que ser cobrada. Essa relação de mãe solo, só tem um jeito na minha cabeça: empreender. E no meu caso, empreender digitalmente”, reflete.


O Mínimo Negócio Viável (MNV) veio com um projeto de mentoria. Deu tão certo que elas partiram para a produção do curso online, que está em vias de ser lançado.

“É aquilo que a Camila Farani fala: você precisa entender as necessidades do mercado. Quando você é artista, não pensa muito nisso. Eu nunca tive esse pensamento sobre o mercado e nem queria saber sobre isso, mas agora vejo a necessidade", comenta.

Segundo Morena, o espírito empreendedor sempre esteve nela, embora não se visse efetivamente como empresária.

“Estou me apropriando desse momento, dessa mulher empreendedora que eu sempre fui, na verdade. Eu sempre lutei para que as coisas acontecessem, para ver as coisas realizadas. Eu nunca fui aquela atriz que esperou o diretor chamar, eu sabia que não iam me chamar, então eu decidi que eu seria mais um farol e chamaria os atores”, afirma.

Rede de mulheres

A atual empresa tem por nome Ateliê Cotidiano. A ideia das mentorias e dos cursos é trabalhar com cada mulher individualmente, com base em sua rotina e no planejamento personalizado. A empresa mostra como é possível criar um planejamento anual, mensal, semanal e diário, é realizada uma decupagem para que todos os dias ela possa trabalhar e fazer algo por ela mesma, por aquilo que cada uma acredita, a partir do estilo de vida que quer conquistar.

Os planos para o futuro são expandir o ateliê para diferentes níveis e necessidades do seu público-alvo e agora, mais do que nunca, se enxerga realizada e empreendedora . "A mulher precisa saber que, se ela se organizar, se priorizar, focar e ter uma rede de apoio, ela consegue. É isso que eu amo no empreendedorismo. Consigo almoçar com meu filho, se estou estressada dou uma volta com ele, volto coloco pra dormir e vou trabalhar. O empreendedorismo é libertador para nós mulheres”, conclui.

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#ElaVence feito de 🖤 por Camila Farani.