#Elavence Perfil - Racismo, amadurecimento na adolescência e empreendedorismo

Após a morte da mãe, Natacha precisou enfrentar o racismo que vinha por parte da avó paterna e ainda muito nova começou a trabalhar, pois entendeu que para chegar em lugares mais altos, só dependia dela.


DA REDAÇÃO DO ELAV - Quando você percebeu que era uma pessoa madura? Quando se deu conta que se você não lutasse pelo seu futuro, ninguém o faria? Com que idade começou a caminhar com as próprias pernas, para ter independência? Natacha Vitale, 32 anos, nascida na cidade Botucatu, interior de São Paulo, perdeu a mãe que era empregada doméstica, quando tinha apenas 8 anos, e o pai que era autônomo precisava lidar com a morte da esposa, mas também continuar trabalhando para sustento da filha, por isso Natacha passava longos períodos na casa da avó paterna, porém jamais imaginaria que passaria por situações de racismo no âmbito familiar.

“Racismo é muito difícil, senti na pele quando a minha avó me fazia dormir no sofá para não usar as camas, quando minha avó separava o meu almoço dos demais da casa, quando escondia comida dentro do quarto para eu não comer, quando bateu no meu rosto me mandando parar de chorar pela ausência da minha mãe", relembra.


Ao se deparar com essa situação percebeu que precisava crescer rápido e aos 12 anos começou a trabalhar como vendedora na loja de parentes. Esse processo fez com que a estimulasse a ser uma pessoa maior e que dependia de si mesma. Assim como muitas crianças sonham com diversas profissões que seguirão na vida adulta, Natacha imaginava que seria veterinária ou âncora, mas conforme foi crescendo o sonho foi mudando e agora o desejo era de se tornar uma executiva.


Quando completou 17 anos, já estava no terceiro ano do ensino médio e como muitos jovens, realizou a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e foi aprovada com uma bolsa de 50% e com apenas uma mala e R$550,00 do seguro desemprego, se mudou para Maringá, Paraná, para estudar comunicação.


Apesar de ter uma tia que morava na cidade que acabara de mudar, Natacha resolveu morar sozinha, só depois aceitou o convite da tia. “Fui morar com ela depois de uns 3 anos já morando em Maringá. Inicialmente não queria incomodar ninguém da minha família, mas depois entendi que a melhor escolha que fiz foi ter aceitado o convite dela. Sem ela, hoje não seria quem sou. Na verdade, tive muitos anjos humanos na minha vida, que me ajudaram muito. Ela me deu um teto e amor”, diz.


Natacha se considera uma intraempreendedora, quando chegou em Maringá conseguiu estágio em um shopping e ficou no mesmo emprego por 9 anos chegando ao cargo de gerente de Marketing. Estava na sua zona de conforto e percebeu que precisava de mudança e vivenciar novos desafios. Participou de um processo seletivo para trabalhar na 5º maior rede de cinema do Brasil, porém para ganhar três vezes menos inicialmente. A vaga era para cidade de São Paulo e com toda coragem embarcou para a maior metrópole do País, já está na empresa há seis anos e trabalha como Gestora de Trade Marketing e Produtos.

Em paralelo com o emprego atual, Natacha teve um insight, criou a Eool, uma empresa voltada à economia compartilhada, sustentabilidade e comunidade. A ideia veio quando estava em uma ação, ainda em Maringá, e precisou de um cortador de grama e para ela não fazia sentido comprar um, já que usaria somente uma vez. Então por que não criar um aplicativo em que pessoas possam ganhar dinheiro, alugando seus produtos, sejam eles câmeras, jogos de videogame, entre outros?


“Vemos cada vez mais poluição ambiental em uma grande crescente. Nossos mares estão cada vez mais sujos, animais sofrendo, e sabemos que se não mudarmos o nosso pensamento e ação agora, logo será tarde demais. Além disso, temos cases que já nos mostraram que uma economia compartilhada gera valor, impacto e uma reeducação sobre consumo”, comenta sobre o impacto que acredita que a Eool terá na sociedade.


A Eool é um sonho que está engatinhando, Natacha já estudou sobre a concepção da marca e estratégia de marketing, contudo está em busca de investimento para que possa finalmente começar a dar os primeiros passos.


Enquanto isso, Natacha segue em São Paulo, com seu cachorro Jerônimo, sua companhia na grande cidade e para o futuro deseja paz e saúde e sonha em poder ver, um dia, o quanto a Eool contribuirá para o bem-estar coletivo.


38 visualizações0 comentário