#ElaVence Perfil - Salário alto x empreender do zero?

A transição profissional sob a ótica da engenheira Lorena Tassara que decidiu sair de um cargo executivo para empreender em plena pandemia


DA REDAÇÃO DO ELAV - "Eu queria ter a coragem que você teve". Essa foi uma das frases que a engenheira Lorena Tassara, 43, mais ouviu nos últimos meses ao deixar o emprego dos sonhos como executiva em uma empresa de tecnologia, um salário polpudo e anos de reputação construída no mercado de telecom para começar a empreender. Isso tudo em plena pandemia.


Fotografia: Mônica Spohn

Goiana de Itumbiara e moradora do Rio desde que iniciou sua carreira como executiva, havia anos que Lorena ensaiava a transição do mercado corporativo para o momento certo de criar sua própria empresa. Mas o momento certo ainda não havia chegado. Até junho de 2020, quando decidiu, de vez, avançar em seu projeto.


Sete anos antes, em 2013, havia sido contratada como executiva na Cell Site Solutions, uma das principais empresas de torres para celular no país. Mas nem mesmo a carreira promissora de intraempreendedora, na liderança dos projetos dentro da empresa, foi suficiente para preencher a sensação de "falta alguma coisa".


"Eu tinha um emprego ótimo, mas fui me acomodando, fui deixando de estudar, fui ficando uma pessoa sem atitude. Estava num voo de cruzeiro e fui ficando triste. Olhando para mim, percebi que queria sair da minha zona de conforto", lembra.


A vontade de empreender de Lorena não veio por acaso. Filha caçula de um comerciante do ramo de duas rodas, sempre teve em casa referências em empreendedorismo. Passou a investir em formação e o desenvolvimento das habilidades comerciais e de negociação, engatando posteriormente a formação em gestão de projetos e depois um MBA em marketing.


O plano começou a ganhar corpo há quatro anos e, apesar da experiência na área de telecom, não seguiu a mesma área. O projeto considerou uma paixão antiga por animais e o potencial do mercado pet no Brasil, que por ano movimenta mais de R$ 23 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Chegando à definição de que área seguir, começou então a preparação para a transição de carreira.


Da paixão à materialização de um negócio


Decidida de que começar o negócio próprio seria o "algo mais" que buscava para a carreira, Lorena partiu para o combo: preparação, capacitação e economia. Criar o hábito de poupar passou a fazer parte da rotina de Lorena de forma a criar um volume de reserva suficiente para garantir a estabilidade enquanto o novo negócio ainda não desse resultado. "Eu não poderia dar esse passo de forma insegura. Botei na ponta do lápis o quanto eu precisaria guardar e quanto poderia queimar por mês até conseguir me manter com o faturamento do negócio. E aí comecei a economizar em tudo. Eu vendia parte das minhas férias, guardava o 13º salário, os bônus, economizava mesmo para tentar fazer uma reserva capaz de me dar a segurança financeira que eu precisaria para começar a empresa", relembra.


As reservas engordaram, o aprofundamento dos estudos no mercado alvo também continuaram. Era parte dos planos de Lorena uma viagem ao Japão e China para prospectar fornecedores, entender mais sobre o mercado, mas a pandemia adiou a viagem. A prospecção continuou por aqui e o projeto do e-commerce no ramo pet está em fase de desenvolvimento.


Como desdobramento, está também uma linha de artigos infantis inspiradas na Ameixa, cadelinha de estimação de Lorena, que inspirou um personagem e já é influencer no Instagram. "Estou vislumbrando também essa oportunidade para desenvolvimento de uma linha infantil de bicicleta e artigos em duas rodas inspirada na personagem, a Ameixa Pop", afirma.


Na reinvenção da carreira de Lorena também esteve um novo chapéu: o de investidora-anjo. Desde que saiu do mercado corporativo, uniu-se a um pool de investimentos em startups.


"Com o investimento anjo eu consigo impactar a minha vida e dar oportunidade a muitas outras pessoas", diz. Lorena será uma das investidoras do G2W, grupo que busca fortalecer a rede de investidoras mulheres no país e também conectá-las a fundadoras ou líderes de startups com faturamento até R$ 500 mil.


Nesses primeiros meses como investidora-anjo, já tem na ponta da língua o que procura em um negócio. "A primeira delas está em observar se o negócio tem a ver com o que eu acredito. Se o olho do empreendedor ou empreendedora brilham, se há paixão e dedicação no negócio. E, claro, se os números e projeções são coerentes".


O vazio do novo


Preencher o vazio deixado pela rotina de anos foi um dos obstáculos mais difíceis na transição de Lorena nos últimos meses. A primeira coisa que Lorena se recorda de ter buscado na nova fase da vida foi profissional foi praticar o desapego. "Eu tinha um bom salário, tinha uma boa reputação no mercado criada com anos no meu setor. Para mim, entender como era abrir mão disso foi o mais difícil", diz.


É necessário uma disciplina muito grande para se adaptar à nova rotina. "Estou criando novos hábitos para alcançar o meu propósito, entre eles olhar para mim mesma, para o que eu planejo e busco. Era muito workaholic e o auto-conhecimento passava batido. Não tinha tempo e olhar para mim", diz.

Vieram sessões de meditação para controlar a ansiedade, muita leitura e estudo. "É claro que eu tenho medo de não dar certo, por isso tento ao máximo controlar os pensamentos e controlar a mente para evitar que eu me auto-sabote", afirma.


Como dica para quem está no mesmo movimento, Lorena destaca a necessidade do autoconhecimento e a criação de planos alternativos caso o projeto principal não saia como planejado. "O empreendedor precisa ter plano A, B e Z caso os outros dois não derem certo, mas também flexibilidade para se adaptar às novas necessidades e determinação para seguir. "Desde que deixei a vida de executiva, já recebi 3 propostas de emprego para ir para concorrentes. Se tudo der errado, sei que ainda tenho essa alternativa, mas não quero voltar", diz.


O apoio que recebe de outras empreendedoras também a ajuda no fortalecimento de suas habilidades e no compartilhamento de ideias para os negócio. "Acredito muito no poder das redes de conexão entre mulheres para auxiliar e apoiar umas às outras", diz.


Nesse processo de amadurecimento da veia empreendedora e das conexões, ajudou a criar o Conexão Farani, comunidade de networking que se formou na esteira dos conteúdos e ensinamentos empreendedores de Camila Farani. Nos próximos dias você conhecerá mais sobre o trabalho que desenvolve ao lado das gaúchas Prisscila Souto e Debora Schaun e que em pouco mais de um mês já reúne 50 empreendedoras de todo o Brasil.


"Eu digo que não vim pra minha vida pra viver só a minha, eu preciso levar impacto. E é isso o que estou procurando nesse momento", finaliza. Se você quer se conectar e trocar mais experiências com a Lorena, cadastre-se seu perfil aqui no Elav!


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