#Elavence Perfil – Um app de impacto: conectando profissionais e sonhos

Atualizado: Mar 11

Conheça Janine Schneiders, a jovem empreendedora que aprendeu a programar aos 14 anos, criou uma startup conhecida como Uber das diaristas que já distribuiu mais de R$ 3 milhões em renda para contribuir com a independência financeira de milhares de mulheres.

DA REDAÇÃO ELAV – Poucas pessoas têm objetivos tão certeiros enquanto estão passando pela adolescência quando a gaúcha Janine Schneiders. Nascida em Lajeado, uma cidade pequena do Rio Grande do Sul, a jovem sempre foi inquieta. Fuçava nas coisas e tinha o sonho de ser cientista.

Quando muito jovem aprendeu a fazer artesanato para revender e, com o dinheiro que guardava junto com a irmã, comprou o primeiro computador. Foi aí que nasceu o amor pela programação. Mal sabia ela que dali nasceria a habilidade para transformar a vida de centenas de mulheres nos anos seguintes.


Aos 26 anos e moradora de Pelotas (RS) Janine é CEO da startup Donamaid, um aplicativo de agendamentos de limpeza que faz a intermediação entre as profissionais autônomas que trabalham como diaristas e clientes que necessitam contratar um serviço de faxina.

Hoje são cerca de 250 mulheres cadastradas que utilizam o app regularmente, mas mais de 1000 profissionais já realizaram limpeza pelo Donamaid nos últimos quatro anos. Em renda, foram mais de R$ 3 milhões distribuídos para profissionais, na espécie do Uber das diaristas que atrai principalmente pela versatilidade. Uma das vantagens apontadas é a possibilidade de a profissional atuar em mais de um local por dia ampliando a possibilidade de ganhos, uma vez que o regime de contratação de cada serviço acontece por hora.

“Comecei a programar aos 14 anos, aos 16 consegui meu primeiro estágio. Juntei dinheiro para estudar programação em um curso técnico e fui com a cara e a coragem. Todo o esforço me ajudou a conseguir o primeiro emprego na área. Mesmo sem experiência, arrisquei", relembra.

E deu certo. "Há cerca de quatro anos começamos com o Donamaid e vejo que, além de construir um produto e investir na tecnologia que amo, encontrei um propósito muito grande para a empresa e para mim. É incrível ver tantas diaristas dizendo que tinham poucas oportunidades e agora conseguem sustentar a casa, fazer planos em virtude da renda gerada pelo aplicativo", diz.

O início

Quem vê hoje o negócio rodando não imagina como tudo começou. Enquanto Janine cursava Ciências da Computação, na Universidade Federal de Pelotas, foi convidada por dois amigos, um deles seu atual sócio, para fazer parte do projeto de criação, atuando no desenvolvimento do aplicativo Donamaid.

No início, o app foi pensado para Pelotas, uma cidade que possui muitos moradores universitários que trabalham, estudam e geralmente não têm tempo para realizar as tarefas domésticas.

A ideia inicial da criação da startup era muito boa, mas existia a dúvida de como começar. Não havia possibilidade de sucesso sem antes testar, por isso começaram de uma forma bem manual.

O primeiro passo foi criar um formulário para que as pessoas interessadas no serviço o preenchessem. O segundo passo iniciou entrevistando diaristas e o terceiro foi criar uma página no Facebook e realizar os agendamentos pelo Messenger. Foi a forma como o Mínimo Negócio Viável (MNV) de Janine ganhou corpo.

“Desde a primeira limpeza que fizemos, já tínhamos uma coisa na nossa cabeça, se não tivesse ninguém desembolsando por aquele serviço, não saberíamos se daria certo, então a pessoa pagava antecipado. Não tínhamos nem CNPJ formalizado, havíamos sido aprovados para a incubadora da Universidade Federal de Pelotas havia poucos dias, mas decidimos testar a viabilidade do serviço”, relembra.

Após ouvir depoimentos de várias mulheres que se cadastraram como diaristas - e até a declaração de um cliente surdo, que tinha dificuldade em contratar uma auxiliar para limpeza -, percebeu como o aplicativo poderia impactar diretamente nos sonhos e no dia a dia das pessoas.

Do papel à ação

Após vários testes, passaram pela incubadora da universidade, participaram de hackathons e programas de aceleração. O negócio foi se desenvolvendo até que começaram a se estruturar para atuarem em outras cidades e estados como Paraná e Santa Catarina.

Os novos planos começaram a borbulhar na cabeça dos sócios. Com a musculatura que a empresa ganhou, a plataforma que criaram em 2017 já não suportava o crescimento planejado.

Queriam ir para cidades grandes e quando começaram a expandir em 2018 enfrentaram o problema de deslocamento das diaristas, elas não queriam sair, por exemplo, da zona norte e ir para o sul. Começaram a fazer pesquisas e construir um produto melhor, ouvindo os principais clientes, entendendo os problemas que os usuários estavam enfrentando e propor soluções.

Em 2018 começaram o ano com o auxílio da aceleradora e em 2019 fizeram rodada de captação junto a investidores-anjo. Um dos sócios saiu da empresa, e Janine que era diretora de tecnologia passou a CEO da empresa.

À frente da Donamaid, aprendeu a desenvolver habilidades que não havia estudado antes como liderança, gestão de tempo e de equipe. O aprendizado de temas sobre o negócio e o desenvolvimento das competências de gestão de equipe foi uma das partes mais desafiadoras, recorda. "As pessoas estavam lá para me ouvir. Eu era buscada para responder as dúvidas que toda a empresa tinha. Era esperado de mim dar o direcionamento, inspiração e motivação para o time".

Efeito pandemia

E foi justamente direcionamento algo que Janine, a equipe da Donamaid e praticamente o resto do mundo precisavam quando a crise chegou.

Em 2020, além de lidar com todas as mudanças de cargo e responsabilidades, o dilema da continuidade dos serviços bateu à porta da Donamaid. O isolamento social provocado pela pandemia de Coronavírus fez com que todas as pessoas permanecessem em suas casas, isoladas, fazendo home office. Quem precisaria, então, contratar uma diarista?

As vendas caíram 90%, não recuaram mais porque a Donamaid lançou uma campanha solidária, antecipando o pagamento dos serviços de limpeza e agendando para prazos futuros. Outros clientes pagavam a faxina, mas informaram que a diarista não precisava realizar o serviço e que, ao contrário,, estavam doando o valor para ajudar as profissionais naquele momento tão delicado.

O ritmo de crescimento da Donamaid foi interrompido durante a pandemia e a principal estratégia foi preservar a empresa e gerar renda para as profissionais. Neste início de ano, os serviços começam a retornar aos poucos e a expectativa é de melhoria no pós-vacina.

O futuro da Donamaid e o de Janine são atrelados, o que a desenvolvedora espera é o crescimento: de base, profissionais e localidades. Os planos não são tímidos: em cinco anos planeja que a empresa seja conhecida por boa parte dos brasileiros, além de ser reconhecida por seu impacto social para diaristas e suas famílias.

Analisando o impacto do aplicativo, Janine reforça a independência financeira como um dos grandes atributos. “Isso é muito importante para mim, as pessoas terem liberdade de fazerem o que elas querem e nada no mundo vai te dar mais liberdade do que você ter o seu próprio dinheiro e poder tomar as rédeas da tua vida”, comenta.


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