#Elavence Perfil – Uma oportunidade para recomeçar

Conheça Juliana Tozzi, uma jovem advogada, que aos 27 anos, arriscou em uma única oportunidade para conseguir abrir o próprio escritório e em menos de um ano já possui uma carteira com mais de 30 clientes.


Você já precisou tomar uma decisão muito importante na sua vida, mesmo que ela seja arriscada tanto para dar muito certo, quanto para dar muito errado? Provavelmente a sua resposta foi sim, isso porque todas as pessoas precisam tomar decisões o tempo todo e são elas que vão definir onde queremos chegar.


Foi exatamente o que aconteceu com Juliana Tozzi, que desde a adolescência sonhava em se tornar advogada. Apesar de seguir a tão almejada profissão, não queria ser apenas mais uma no meio da multidão. Porém, para alcançar o objetivo precisou lidar com conflitos internos como as inseguranças e medos de recomeçar.


Após formada e trabalhando na mesma empresa por 4 anos, percebeu que não conseguiria estar no topo da cadeia, lá não havia espaço para ela. Os questionamentos começaram a surgir. O escritório atuava em Direito Tributário, especialização cursada na pós-graduação pela advogada, é uma área considerada muito masculinizado, na época, eram 5 coordenadores homens e somente no último ano em que atuou na empresa, uma mulher ocupou o cargo.



“Foi muito desafiador trabalhar e não enxergar uma luz no fim do túnel, me sentia inferiorizada, porque há tendência para que a gente não acredite no nosso potencial”, relembra.


O desejo de crescer e empreender foi aflorando, tinha certeza de que seria capaz de conduzir o escritório. A única chance que precisava para abrir o próprio negócio e atuar como advogada autônoma, era a oportunidade de conseguir o primeiro cliente.


Antes de pedir demissão para iniciar o tão desejado objetivo, Juliana precisou fazer alguns sacrifícios. “As pessoas vivem de aparências e esperam isso da gente, quando eu parei de seguir a manada e não queria mais comer em um restaurante caro, porque eu sabia que tinha que economizar para fazer o meu planejamento, eu tive que poupar muito. As pessoas me chamavam de muquirana, eu não participava das vaquinhas dos aniversariantes, falava que não podia e todo mundo ficava zombando de mim”, conta.


A oportunidade

Uma amiga que é corretora de investimentos indicou Juliana para um cliente e perguntou se ela aceitaria o caso, essa era a chance que tanto esperava para começar.


O primeiro passo foi pedir demissão, optou por não contar para ninguém o motivo da saída do escritório e por insegurança, não queria começar do zero sozinha, conversou com alguns colegas da área, que sempre mostravam ter interesse em empreender, mas quando convidou alguns deles, ninguém topou, o medo de arriscar falou mais alto e por um momento, Juliana pensou em não arriscar também, com receio de não conseguir um sócio para embarcar junto com ela.


“Eu pensei e se lá na frente eu pensar porque não empreendi hoje, o motivo será que foi por outras pessoas, só cabe a mim decidir, eu preciso ter controle sobre o que quero, então não tive muita opção mesmo, eu fui e começar sozinha é muito mais difícil”, diz.


Foi necessário convencer o marido, que muito calculista e receoso, questionou se ela não conseguiria, por enquanto, dar conta das duas atividades, mas ela foi firme em sua decisão, mesmo não tendo a convicção do sucesso, pois se mostrasse fraqueza, ele quem a convenceria do contrário e ela acabaria não arriscando.


Em junho de 2020, a advogada abre o próprio escritório, inicialmente trabalha na modalidade home office. A experiência de atender o primeiro cliente, foi tranquila em relação aos procedimentos, pois já estava acostumada por conta do trabalho no antigo emprego. Mas lidar com as reuniões era novidade, precisou aprender como falar e se portar perante o cliente.


“Cada passo era uma superação, a superação do primeiro cliente e depois como eu conseguiria o segundo, as pessoas não sabiam que eu era advogada então eu comecei a divulgar o meu trabalho nas redes sociais, mas não uma divulgação explícita, porque não podemos pela OAB”, diz.


As divulgações eram para que as pessoas vissem que ela era advogada, precisava comunicar o que sabia, não adiantava ter um extenso conhecimento de conteúdo e se esconder, ninguém iria descobrir se não houvesse um posicionamento.


Juliana, desde que decidiu abrir o próprio escritório faturou todos os meses, clientes começaram a vir por indicação, a princípio poderia ser imaturo alguém pedir demissão do primeiro emprego para arriscar com apenas um cliente, mas foi arriscando que conseguiu se posicionar no mercado e faturar mais do que alguns amigos que atuavam na mesma área, com escritórios bem conceituados.

Quando percebeu essa deficiência, viu que poderia fazer mais, e além de publicações sobre área jurídica, começou a produzir conteúdo nas redes sociais falando sobre empreendedorismo.


“Quando eu queria sair do escritório, procurava no Google como começar na advocacia e eu não via boas respostas, não tinha um curso, as pessoas que sabiam, guardavam o conhecimento para elas, com receio da concorrência, mas eu não, e uso meu Instagram para divulgar questões de empreendedorismo e desenvolvimento pessoal”, diz.


Atualmente a advogada tem 27 anos é casada e relata que apesar de jovem, sempre a enxergaram como uma pessoa independente e profissional, mas infelizmente por ser uma mulher tinha a insegurança de ir sozinha em uma empresa tributarista, além da porta ficar mais estreita.


Para a advogada todo mundo é capaz, independente de onde começa. “Na estrutura geralmente que a gente está inserido, principalmente no mundo corporativo, a ideia é que eles sugam a gente a ponto da gente se sentir incapaz. Você se sente incapaz de empreender, se sente desqualificado, por mais que você tenha investido dois anos do seu salário em uma especialização e estudado muito, eles fazem questão de desqualificar, então conseguir demonstrar que as pessoas são capazes, coisa que não fizeram comigo, é o que me move, por isso eu gosto sempre de publicar conteúdos, contando a minha história”, diz.


Afirma que não é todo mundo que começa de baixo, em um bairro menos favorecido que chega aonde chegou. A profissão é muito concorrida, são mais de um milhão de advogados com inscrição ativa no Brasil e é um setor competitivo e ter a coragem de mostrar o talento é um diferencial. A internet também ajudou muito no início, pois compartilhar o conhecimento a fez estudar mais e se enxergar de outra forma.


“A gente passa para outras pessoas o que está dentro da gente, então se eu não tivesse segurança do que estava falando ali para passar para o cliente como é que eu iria vender para quem fosse? Então o maior objetivo hoje é também ser inspiração para as pessoas, para todo mundo ver que consegue”, diz.


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