Empreendedorismo materno: pare de romantizar

Atualizado: Mai 9

O que é empreendedorismo materno e como as mulheres lidam com os desafios de empreender por necessidade quando o mercado de trabalho fecha as portas após a maternidade.


DA REDAÇÃO ELAV - Você já ouviu falar sobre o termo empreendedorismo materno? Segundo uma pesquisa realizada pela FGV - Fundação Getúlio Vargas, 35% das mulheres com maior escolaridade apresentam queda de emprego em 12 meses após o início da licença, enquanto a queda de 51% é para as mulheres com nível educacional mais baixo. Além disso, o estudo indica que a maior parte das saídas do mercado de trabalho se dá sem justa causa e por iniciativa do empregador. Conversamos com a Brena Liomel, escritora e desde 2014, com seu trabalho, ajuda mulheres a reinventarem suas carreiras após maternidade.


Para Brena é importante enfatizar que não devemos romantizar o empreendedorismo materno, acredita que um dos benefícios é a gestão de tempo que a mulher adquire, mas empreender quando a mulher se torna mãe, muitas vezes não é para realizar um sonho e sim por uma necessidade, por falta de opção. “O empreendedorismo materno é muita força, muita coragem de mulheres que enxergam no empreendedorismo a oportunidade de sustentar suas casas, suas famílias e suas vidas. É muito bonito, mas nós precisamos parar de romantizar, eu costumo falar que o empreendedorismo materno é um empreendedorismo de necessidade”, diz a escritora.


Um outro ponto importante é a falta de apoio que as mulheres não têm quando decidem empreender, muitas vezes nem o próprio parceiro compreende que ela precisa de ajuda. Brena explica que o desejo de empreender sempre vem carregado com a vontade de ter mais liberdade, porém geralmente não sabem por onde começar e nem como fazer. A falta de referência de mais mulheres de sucesso também acarretam sobre não saber qual o primeiro passo. Quantas mulheres de sucesso você conhece? Quantas mulheres bem sucedidas? Sempre que olhamos a balança ela está desequilibrada. “Eu lembro da minha mãe trabalhava a noite inteira e quando eu estava indo para escola, minha mãe estava indo dormir e eu falava que não queria isso para mim, isso porque a jornada dupla ou tripla trabalhando, cuidando da casa e dos filhos e muitas outras coisas, a mulher fica sobrecarregada”, diz.


É essencial dar importância ao trabalho da mulher, muitas vezes ela não é levada a sério, pelo fato do trabalho, por exemplo, ser uma confecção de laços ou mesmo a que vende bolo, pois levam isso como se fosse um “bico” e não um trabalho que gera renda.


Para compreender melhor porque não devemos romantizar o empreendedorismo materno, Brena listou cinco desafios que as mulheres enfrentam na hora de começar a empreender.


1- Falta de referência

Quando a mulher não olha em volta e não encontra mulheres empreendedoras, ela vai desanimando, são poucas as mulheres que olham e podem dizer que é uma vencedora. Ela acha que não é possível ter tudo, a mulher casada, com filho, a mulher empreendedora e dona do seu próprio negócio. Quando tem a referência, muitas vezes, o pensamento é que para quem está do outro lado é mais fácil ter empregada ou não ter filho e na verdade ela não entende que aquela mulher também começou sem empregada ou sem apoio.


2- Falta de uma rede de apoio

As mulheres esperam ter um apoio, apesar de ser considerada guerreira, o tempo todo buscam por validação de outras pessoas. Às vezes a mulher tem um sonho ou uma vontade e ela não coloca no papel por medo de dar errado e é importante ter ao menos uma pessoas que fale que é possível. A rede de apoio não é só de fazer as coisas, mas de quem acredita.


3- Falta de estrutura

Dentro da empresa é preciso de alguém que ajude a fazer com que outras coisas andem para que a mulher consiga se dedicar ao negócio. Se a mulher não tiver uma parceria fica mais pesado e difícil. Muitas vezes acreditam que a parceria é como se a mãe ou sogra tivessem a obrigação de ajudar e ninguém tem obrigação de fazer nada. O sonho é individual, mas a única pessoa que tem a obrigação de compartilhar responsabilidades com os filhos é o parceiro, é o papel dessa pessoa a divisão de tarefas. É necessário ter muito claro essa divisão de atividades da maternidade e paternidade, pois quando isso está claro, fica mais leve e a própria mulher compreende sobre seu papel.


4- O Dinheiro

Geralmente achamos que precisamos de muito dinheiro, e às vezes pode começar com o mínimo para iniciar a estrutura para que depois vá melhorando. Um exemplo são mulheres que são excelentes cozinheiras, que fazem bolos que as pessoas gostam, mas quando pensam em empreender, querem começar comprando fornos melhores, mas o que ela precisa é começar fazendo o primeiro bolo com o que tem, anuncia no prédio ou no condomínio e a partir do resultado aumenta a demanda gradualmente. Muitas mulheres ficam presas nas frases: eu não posso e eu não consigo e para de procurar soluções simples que podem resolver os problemas.


5- Falta de planejamento

O empreendedorismo de necessidade traz isso, geralmente as pessoas querem o dinheiro e o foco total vai para o que pode trazer dinheiro mais rápido. Então acabam começando sem planejamento e não buscam fazer o que realmente gostam.


Brena finaliza afirmando que quando nasce um bebê, nasce uma nova mulher que é a mãe, e ela entra nesse conflito de não saber quem é essa nova mulher. Ela não sabe mais o que ela gosta, o que quer, quais são seus sonhos e objetivos porque a vida dela são os filhos, o casamento, a casa, ou seja ela não sabe mais quem ela é!

Com isso tenta resgatar a mulher de antes, é um processo doloroso porque a mulher não é mais o que era antes dos filhos e não voltará a ser, e geralmente ela não é preparada para esse luto de não ver mais a antiga mulher. São coisas simples como a roupa do guarda-roupa que depois da gravidez não a representa mais e ficam lutando e não permitem a mulher antiga partir. Para Brena, é impossível empreender sem autoconhecimento, é impossível ser uma empreendedora de sucesso sem saber o quem você é, sem saber o que você gosta, sem saber o que quer ou que espera para o futuro. “Além de ser mãe, esposa, profissional, dona de casa, quem é essa mulher? Eu acho que é impossível ter um negócio sem saber. Existe uma diferença muito grande sobre quem você é para quem você está. Quando paramos para olhar nossa história e nossas raízes, vamos encontrar muita coisa. Uma boa dica é pegar um caderno e escrever tudo que você sabe sobre você mesma”, comenta.


Para finalizar, a escritora acredita que as mulheres precisam acolher a própria história, foi através dela que levou cada uma onde está. Mas é preciso pensar que o que a mulher não sabe é o que vai levá-la além e o que vai construir é uma escolha. Então mulheres, aceitem a sua história e traga ela com você para te trazer força. Que a sua história seja a sua maior motivação. Foi algo que fez diferença para Brena e ela espera que faça a diferença para cada uma.


Brena Limoel é mãe da Sara e da Sofia, empreendedora e escritora. Com diversas formações na área de desenvolvimento pessoal, coaching, PNL e Neurociências, teve uma forte atuação na área corporativa, até tornar-se mãe e ter sua vida transformada pela maternidade . Desde 2014, usando técnicas para o autoconhecimento, produtividade e neurociências, ajuda milhares de mulheres desde o preparo emocional durante a gestação para o parto através do projeto #boraparir até viverem uma maternidade com mais leveza e se reencontrarem após o nascimento dos filhos.


Também é coautora dos livros "O desafio de educar: educar hoje" e "Cartas para o sucesso", e realizou um sonho de escrever para as crianças ao transformar suas filhas em livro com a coleção: "As aventuras de Zigfrida e Zurubeba".

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