Transição de carreira: como recomeçar depois dos 40

Mudar de profissão já não é fácil e parece que a decisão pesa ainda mais depois dos 40 anos. Se você quer realizar essa transição e não sabe como começar, veja essas dicas que preparamos para você.

DA REDAÇÃO DO ELAV - Ana Emílio, 43 anos, sempre trabalhou na área financeira, principalmente em multinacionais americanas. Em 2016, engravidou e, após licença maternidade, logo depois de retornar para o trabalho, foi demitida. Passado o baque, decidiu que se dedicaria à maternidade até o filho completar um ano de idade. E depois de cumprir o período, viu que era hora de se reinventar. Mas… começar por onde?

A dúvida de Ana é semelhante à de milhares de mulheres que, voluntariamente ou não, se veem diante da perspectiva - ou necessidade - de mudar de carreira e recomeçar em uma nova área depois dos 40 anos.

"Essa mudança vem com um senso de responsabilidade muito maior e traz um peso muito também grande, por isso entendo que ela deva ser planejada com cuidado e carinho", afirma ao ELAV Adriane Bueno, especialista da área de Recursos Humanos.

Além disso, segundo a especialista, aos 40 a motivação de mudança de carreira vem por algumas vertentes: necessidade financeira ou satisfação pessoal. "Em ambos os casos, é necessário que a escolha reflita quem somos ou o que acreditamos", afirma Adriane.

Foi exatamente o que aconteceu com Ana. Embora não tenha conseguido se planejar com calma para a transição, o desligamento aconteceu como um empurrão e abriu novas perspectivas. A então executiva, que já editava um blog de entretenimento com amigos, viu na Comunicação uma nova perspectiva de carreira e decidiu se especializar. Adaptou seu foco para publicações da área de Finanças, fez cursos de marketing estratégico e digital e conseguiu se firmar na nova área.

“Eu até cheguei a colocar meu currículo no mercado e participei de um processo seletivo antes de decidir mudar de área, mas percebi que, se era para enfrentar alguma coisa, que fosse para algo que me desse mais prazer em fazer”, diz.

Para ajudar a encontrar respostas para algumas dessas dúvidas, o ELAV fez um bate-papo com Adriane Bueno sobre transição de carreira. Confira as dicas:

Estou muito velha para mudar? A famosa sensação de estar “velha demais para mudar” é muito natural e inevitável, diz a especialista Adriane. "Em algum momento esse sentimento virá. E nesse momento que cabe lembrar algumas coisas:

1) Você não está sozinha! Conte sua ideia, converse com as pessoas, e tenha uma rede de apoio para essa fase da vida! Você vai precisar ser motivada algumas vezes.

2) Controle a angústia e o medo. Se estamos conscientes de que vamos efetivamente recomeçar, há que assumir e aceitar a decisão tomada. Tente substituir o medo pela determinação.

3) Projete o futuro com coisas boas. Lembre que cada passo te leva para um futuro ainda mais feliz".

Como devo me planejar?

Escolher mudar de carreira é saber que você passará por uma fase que entrará menos dinheiro ou até nenhum, por algum tempo. Então é necessário criar um planejamento, não apenas de estudos e de desenvolvimento na nova área, mas como montar um planejamento financeiro para “segurar as pontas” durante esse período. Porém, caso a transição aconteça por estar sem um emprego, vale lembrar que, assim como no passado, será necessário nutrir essa carreira e ela irá crescendo aos poucos, o que exige paciência e dedicação. O retorno vai vir.


O que é um plano de desenvolvimento individual?

A maioria das pessoas não tem o hábito de pensar em carreira. Pensam em empregos. Mas se ao pensar na vida pessoal conseguimos traçar planos como comprar um carro, um apartamento, estudar, casar e ter filhos, por que não pensar em uma carreira profissional também com todos os detalhes, pontuar cada uma das conquistas necessárias para chegar nelas?

Quando se fala em transição, principalmente quando já temos uma experiência percorrida, podemos e devemos estabelecer metas pequenas, médias e grandes para ir conquistando passo a passo.

Esse plano de desenvolvimento ajuda a diminuir a ansiedade, e uma vez que está mapeado, conseguimos analisar a evolução.

Como conhecer os meus pontos fortes?

Conhecer seus pontos fortes e utilizá-los a seu favor é um bom caminho. Conhecer os pontos fracos para aprimorar e conhecer as dores que virão pela frente, elaborando recursos para facilitar o dia a dia.

O perfil profissional comportamental traz respostas de como reagimos às situações. Conhecer esse perfil faz com que tenhamos escolhas mais rápidas. Ajuda na transição de carreira? Sem sombra de dúvidas. Uma pessoa que sabe o que quer, sabe por que quer e se conhece o suficiente para saber qual caminho vai escolher para chegar, e o objetivo é conquistado mais rapidamente.

Preciso de um mapa de networking?

Sim. A transição exige dedicação. Entrar em contato com as pessoas que já estão na área, segui-las nas redes, ouvir o que elas falam, criar um mapa de networking para conseguir se inserir no mercado é fundamental para ter sucesso nessa mudança. Mudar de área sem conhecer ninguém é arriscar muito no escuro. Então cerque-se de pessoas do novo setor, interaja, conecte, entre no setor antes mesmo de já fazer parte efetivamente dele. Pesquise e entenda mais sobre onde você quer estar.

Como construo meu plano de ação?

Se você quer “trabalhar com”, com certeza você pensou em “onde”. Quais empresas podem te proporcionar esse cargo? Você já se colocou à disposição delas? Já entrou em contato com elas? Elas sabem que você existe? Você quer empreender? Já olhou para o mercado, pensou no que vai vender e como chegar aos seus clientes? São coisas que necessariamente você precisará mapear.

A transição de carreira é uma postura ativa. É você se movimentando em busca do seu sonho, do que você realmente quer. É necessário que seja racional, mesmo o emocional pesando tanto nessa escolha.

O que uma mulher de 40 anos deve começar a fazer para se arriscar nesse movimento?

Para se arriscar no movimento de mudança de carreira eu sugiro que, como primeiro passo, coloque todas as inseguranças na mesa e converse com elas! Se conhecer, saber o que quer, o porquê, e as motivações dessa mudança acontecer vai te dar forças para iniciá-la e muitas vezes, fará com que, no momento de fragilidade e insegurança, você tenha forças para seguir firme no processo.

Você fez essa transição? Então conta para a gente como foi! Escreva para o redacao@innovaty.com.br.

Adriane Bueno é profissional da área de Recursos Humanos, com carreira desenvolvida em Departamento Pessoal, Cargos e Salários, Treinamento, Diversidade e Inclusão. Tem experiência em Gestão de Pessoas, Folha de Pagamento, Contratos, Reestruturações e Implantações de Processos, além de gerenciamento da mudança e atendimento ao cliente. É Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Santos e tem MBA em Gestão de Pessoas com Ênfase em Liderança e Inovação Organizacional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).


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